A função das brincadeiras no desenvolvimento dos filhotes


A função das brincadeiras no desenvolvimento dos filhotes

Tecnicamente, uma brincadeira é definida como qualquer atividade motora que parece não ter sentido e que consiste em uma série de comportamentos que vêm de outros contextos, como o acasalamento ou a caça, e que na brincadeira parecem ser alterados na forma, intensidade ou sequência. No caso de um cachorro que persegue uma bola, a perseguição tem origem em uma conduta predatória, mas o estímulo que a provoca não é uma presa verdadeira e, frequentemente, os movimentos são exagerados no que diz respeito ao que o cachorro faria em um contexto de caça.

Os cachorros costumam ficar muito motivados para encontrar companheiros de brincadeiras ou brincar com objetos. Essa predisposição para brincar continua, como no caso das pessoas, durante a vida toda do animal, com um pico durante a etapa infantil e juvenil. Trata-se de um efeito do processo de domesticação que a espécie canina sofreu e que determinou a retenção de algumas características juvenis na idade adulta (tecnicamente esse fenômeno define-se como Em seu discurso, James A. Serpell, professor da Universidade da Pensilvânia, afirmou categoricamente que, embora nos dias atuais a presença). De fato, na maior parte dos mamíferos selvagens, a brincadeira limita-se quase exclusivamente a etapa infantil. Entretanto, a brincadeira é uma atividade que implica em um custo energético, além de representar um risco com a possibilidade de causar ferimentos. Isso pode acontecer se o animal não calcular bem os movimentos ou não interpretar corretamente os sinais emitidos pelo outro participante. Mas por que os cachorros brincam?

Apesar da aparente falta de função, há várias hipóteses sobre os benefícios que a brincadeira poderia proporcionar durante o desenvolvimento de um filhote. Uma das mais conhecidas é a hipótese segundo a qual brincar serve para preparar o animal para a vida adulta, fazendo com que ele pratique as habilidades motoras que precisará para caçar ou acasalar, além dos comportamentos agnósticos e de apaziguamento que serão úteis para resolver conflitos sociais e estabelecer relações hierárquicas. As brincadeiras também melhoram a compreensão dos sinais de comunicação emitidos pelo companheiro de brincadeira. Seja um cachorro ou uma pessoa, brincar costumar melhorar o entendimento e aprofundar a relação entre os participantes dessa atividade. Brincando com a mãe e com os irmãos, o cachorro aprende a inibir a mordida. Geralmente, filhotes separados da mãe muito cedo (antes das 7 semanas) costumam morder com força e brincar de uma maneira brusca. A brincadeira pode ser útil também como treinamento físico, permitindo, por um lado, praticar a coordenação motora e, por outro, favorecer o desenvolvimento de algumas estruturas nervosas, como cerebelo (envolvido na manutenção do equilíbrio), as massas musculares e as conexões entre o sistema nervoso e os músculos. Com a brincadeira, o animal explora os seus limites e as suas habilidades, adquire flexibilidade física e mental e treina para viver situações imprevisíveis. Portanto, durante a brincadeira, os animais ficam em situações de desvantagem que permitem que eles explorem as possíveis estratégias para escapar de uma dificuldade, mas tudo isso em um contexto em que não há riscos reais.

Além das funções próprias da brincadeira, o proprietário pode usá-la como ferramenta na educação do filhote para ensinar o controle emocional, a tolerância à frustração e a fazer pausas durante a brincadeira, aprendendo assim a controlar o nível de animação. A natureza agradável do jogo permite que ele seja usado como prêmio para os comportamentos do cachorro que queremos reforçar. Aliás, um estudo mostrou que depois de uma sessão de brincadeira, os cachorros costumam mostrar níveis maiores de atenção ao dono. Se ele treinar bem depois de brincar, o treinamento costuma ser mais efetivo. A brincadeira também é usada como indicador de bem-estar do cachorro. Em animais doentes, famintos, que moram em ambientes inadequados ou que, em geral, estão em uma situação de estresse crônico, um dos primeiros comportamentos que desaparecem é a vontade de brincar. Por tanto, uma diminuição da frequência das brincadeiras pode estar relacionado com uma redução do bem-estar do indivíduo.

Já que a brincadeira é fundamental para o desenvolvimento dos cachorros, todos esses aspectos marcam a importância de proporcionar momentos adequados para brincadeiras tanto para filhotes quanto para adultos.