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Adotar um cão numa família não é uma decisão que deva ser tomada irrefletidamente. É muito importante não cedermos aos primeiros impulsos, e estarmos conscientes das obrigações que uma adoção acarreta, bem como das necessidades que o animal terá ao longo da sua vida, quando pensamos em cães para adotar. 

Infelizmente, ano após ano, regista-se um elevado número de abandonos que, em muitos casos, se deve ao facto de os futuros donos fazerem uma análise muito superficial do que significa realmente ser responsável por um animal de estimação. É possível que não estejam cientes que oferecer ou adotar um cão pressupõe um compromisso eterno, ou talvez não pensem bem no momento de o adotar e não tenham em conta que o animal irá necessitar de cuidados, e que os mesmos terão um custo. Por outro lado, talvez também não interiorizem que é necessário tempo para o educar e o levar a passear. E, obviamente, é preciso lembrarmos-nos dele se formos de férias e ele não nos puder acompanhar.

 

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É por estas razões que o envolvimento do veterinário é tão importante, já que o seu papel vai para além de fatores tão importantes como o cuidado clínico do animal. É também necessário efetuarmos, como veterinários, um trabalho de consciencialização para travar o abandono, evitar a reprodução não desejada e fomentar a adoção de cães. O seu trabalho de registo do animal de estimação, graças à implantação do chip, facilita a recuperação do animal em caso de perda e permite até reclamar responsabilidades perante os donos em caso de abandono.

No ano passado, a percentagem de cães que foram abandonados e chegaram aos canis devido ao facto de se perderem foi de 9%, chegando aos 13% quando o motivo eram ninhadas indesejadas. Estes e outros dados provêm deste interessante estudo elaborado pela Fundação Affinity.

 

O Dr. Jaume Fatjó, Diretor da cátedra Fundação Affinity Animais e Saúde, analisou alguns dos motivos do abandono de cães e gatos. O fracasso da convivência com o animal e o papel que os veterinários e investigadores desempenham são muito importantes para evitar este problema.

Os profissionais divulgam os benefícios que advêm da convivência com animais, mas são também os responsáveis por detetar as principais razões do fracasso dessa convivência, que muitas das vezes resulta no abandono do animal de estimação, como é sabido.

  • Por que razão essa convivência é quebrada?
  • Como podemos recuperar essa relação perdida?
  • Quais são os parâmetros a ter em conta na tarefa de encontrar uma nova família para o animal abandonado?

Em última análise, é fundamental encontrarmos respostas para todas estas perguntas. A promoção da adoção e a identificação das causas do abandono constituem prioridades para os profissionais que desenvolvem a sua atividade no campo das relações entre pessoas e animais.

Ainda há muito trabalho por fazer e um caminho longo a percorrer, neste sentido. De acordo com estudos da Fundação Affinity, em 2014 foram abandonados 16 cães e gatos por dia no nosso país, num total de mais de 140.000 animais de estimação. Além disso, e contrariamente ao que se possa pensar, os abandonos não têm um pico durante um determinado período do ano, mas sucedem ao longo dos doze meses. Esta situação deveria preocupar-nos e exigir-nos tempo, já que a fibra humana de uma sociedade também é medida pelo respeito que a mesma tem pelos animais que formam parte dela.

 

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