Cistite enfisematosa felina

cistite enfisematosa Tempo de leitura: 2 minutos

A cistite enfisematosa felina pode surgir durante processos inflamatórios da bexiga urinária causados por uma infeção bacteriana. Os animais diabéticos e com glicosúria associada geralmente apresentam uma certa predisposição para este tipo de cistite.

Quando se trata de doenças do sistema urinário inferior felino (FLUTD) é deveras importante determinar a causa concreta para se poder realizar o tratamento mais adequado.

Em artigos publicados anteriormente, já mencionámos as doenças do sistema urinário inferior felino, nomeadamente os cálculos de estruvite e os cálculos de oxalato y estruvite .

Neste artigo, iremos debruçar-nos sobre a cistite enfisematosa felina.

 

Cistite enfisematosa

A cistite representa a causa mais frequente do espessamento da parede da bexiga. A cistite enfisematosa é uma infeção bastante complicada do sistema urinário inferior, caracterizada pela presença de vesículas repletas de gás na parede da bexiga e até, por vezes, bolhas de gás no lúmen da bexiga. A formação deste gás deve-se a uma infeção bacteriana que se alimenta de substratos como a glicose, proteínas ou hidratos de carbono do tecido.

 

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O gás presente na bexiga é composto de nitrogénio, hidrogénio, oxigénio e dióxido de carbono.

Foram isolados vários microorganismos nestes casos de cistite, com predomínio da presença de E. coli ou Clostridium spp em mais de metade dos casos apresentados. Outras bactérias Gram negativas, incluindo Klebsiella e Proteus, ou fungos, como a candida, também foram encontrados.

 

Diagnóstico da cistite enfisematosa

Os pacientes que padecem, simultaneamente, de diabetes mellitus e glicosúria com cistite enfisematosa apresentam imagens confusas nas ecografias, devido à presença de gás intraluminal que pode chegar a ocultar a anatomia da bexiga. Nestes casos, as radiografias são mais úteis, já que o gás é facilmente identificado no interior da parede da bexiga.

Desta forma, uma radiografia irá fornecer mais informação devido à fácil identificação do gás na parede da bexiga.

As suspeitas clínicas poderão surgir se for escutado um som de ar aquando da micção, ou crepitação da bexiga durante a palpação do exame físico.

O diagnóstico precoce é deveras importante, já que este tipo de cistite é difícil de tratar e as recorrências são frequentes. A abordagem à cistite enfisematosa, quando iniciada atempadamente, tem resultados muito bons. Uma drenagem urinária adequada, terapia antibiótica apropriada e um controlo glicémico eficaz permitem resultados terapêuticos muito satisfatórios. Depois de eliminada a infeção, o gás é rapidamente absorvido pelos tecidos. Nalguns casos pouco frequentes, o desbridamento cirúrgico ou a cistectomia poderão ser necessários. A resolução definitiva da infeção é confirmada por meio de uma radiografia de acompanhamento e uma análise à urina.

 

Cistite enfisematosa e diabetes

Verificou-se que os gatos diabéticos com glicosúria associada apresentam uma maior predisposição para vir a sofrer de cistite enfisematosa. Isto deve-se ao facto de esta infeção ser provocada por bactérias que se servem de substratos como, por exemplo, a glicose. A ausência de glicosúria não constitui um fator de confiança para excluir o diagnóstico da diabetes mellitus. Por esta razão, uma medição dos níveis glicémicos deverá ser sempre realizada, antes de se descartar a hipótese de diabetes mellitus.

A cistite enfisematosa também pode surgir com menor frequência nos gatos não diabéticos, ainda que nestes casos a evolução da doença seja geralmente mais grave.

 

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