Diarreia hemorrágica em cães: basta uma solução oral de eletrólitos? | Vets & Clinics

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Diarreia hemorrágica em cães: basta uma solução oral de eletrólitos?

Os vómitos e diarreias nos cães são um dos sintomas mais comuns de transtornos gastrointestinais. Na sua grande maioria, estes transtornos gastrointestinais são resolvidos com uma terapia adequada, no entanto existem outros casos nos quais a causa pode colocar a vida do animal em perigo.

Nutrição e doenças

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Perda de líquidos: a causa da desidratação

Em geral os sintomas de colite nos cães são um aumento da frequência das deposições, com um menor volume, e presença de muco, sendo comum que apareça sangue fresco nas fezes do cachorro. Nos transtornos não crónicos geralmente não se dá uma perda de peso.

No momento em que, depois de um tratamento convencional de 2-4 semanas, e a diarreia aguda, é excluída do diagnóstico, uma boa opção será investir tempo e dinheiro de modo a conseguir um diagnóstico específico que nos guie na gestão, sempre em concordância com o dono. (A partir deste link poderá aceder ao nosso artigo sobre o diagnóstico diferencial das diarreias) dado que nem sempre é fácil chegar a um diagnóstico definitivo, principalmente no caso das diarreias crónicas.

Abordagem terapêutica: um denominador comum

O tratamento depende do tipo de diarreia, sendo de especial importância o uso de uma dieta adequada. As diarreias desencadeadas por uma causa crónica são mais complicadas e não se solucionam isoladamente. Dever ser seguido um protocolo para se ir excluindo possíveis causas. Portanto, as seguintes causas devem ser excluídas: parasitas, infeção bacteriana, patologia sistémica (renal, hepática, pancreática), linfoma difuso, neoplasia, linfagiectasia, colite que reage a fibras (AVD Diabetes Colitis).

Uma vez excluído existem duas opções, realizar um tratamento empírico ou realizar uma biópsia intestinal, que pode ser normal, ou pelo contrário aparentar inflamação (leve ou severa). No geral, para a colite crónica podem ser necessárias dietas especiais ricas em fibra e hipoalergénicas, imunossupressores, antibióticos, probióticos, etc. Em alguns casos é necessário o uso de antibióticos.

Focando-nos no tratamento da fase aguda, este será comum a todas as diarreias com sangue nos cães: tratamento de suporte com re-hidratação do animal. No entanto, de forma tradicional, o tratamento de eleição mais habitualmente levado a cabo quando o animal apresenta sinais de alarme é a via intravenosa. Seguidamente, iremos expor-lhe um estudo sobre a abordagem com soro de re-hidratação oral em casos de diarreia com sangeu em cães afetados por uma desidratação leve a moderada1. Por outro lado, recomenda-se a realização de jejum de alimentos sólidos durante 24 a 48 horas.

Aqui pode descarregar o relatório de investigação do grupo da Affinity sobre o tratamento dietético dos transtornos gastrointestinais caninos. Neste relatório de investigação, explicam-se as diferentes causas de uma diarreia aguda e de uma crónica, propondo um algoritmo diagnóstico de acordo com o tipo. Aqui poderá encontrar o nosso artigo sobre suplementos para as diarreias e as novas formas de os administrar.

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Soro de re-hidratação oral: é suficiente?

O objetivo deste estudo, como referimos anteriormente, foi o de determinar a segurança e eficácia de uma solução de eletrólitos de administração oral (OES). Para o efeito, selecionou-se uma amostra de 20 cães com diarreia com sangue e com menos de 3 episódios de vómitos, aos quais foi administrada uma OES. (Além disso, levaram-se a cabo exames diagnósticos pertinentes e administrou-se um tratamento para os vómitos).

Aos animais que se negaram a tomar as OES, ou que apresentavam sinais de desidratação grave (detectados por meio de vários parâmetros analíticos) foram administrados fluidos cristaloides intravenosos. Foram 13 (65%) os cães que consumiram de forma voluntária as OES, previamente ao internamento.

Em menos de 24 horas, estes animais possuíam o hematócrito, as proteínas totais no soro e a concentração de ureia foram substancialmente menores do que no momento do internamento, enquanto que não se observaram mudanças significativas nos outros parâmetros como o pH sanguíneo, o excesso de bases alcalinas, as concentrações de sódio, de potássio, de cloro, de cálcio e de magnésio iónicos, e de lactato. Por outro lado, verificou-se que o tratamento apresentou uma boa relação de custo-eficácia, sendo significativamente menor para o grupo de OES do que no grupo tratado com fluidos intravenosos.

Portanto, concluiu-se que a terapia de re-hidratação com uma OES foi eficaz e segura, e que os potenciais benefícios desta abordagem de tratamento (quando comparados com a administração tradicional intravenosa de fluidos) exigem menos investimento de tempo por parte do pessoal clínico associado com o tratamento, bem como menores custos veterinários para os donos.    

Pode descarregar o guia sobre fisiopatologia gastrointestinal do cão e do gato neste link.                           

 

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1. Reineke EL, Walton K, Otto CM Avaliação de uma solução de eletrólitos de administração oral para o tratamento de uma desidratação leve a moderada em cães com diarreia hemorrágica J Am Vet Med Assoc 2013; 243: 851-857.    
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