Tempo de leitura: 3 minutos

Sim, referimo-nos às famosas proteínas novas. O que são exatamente? Como influenciam no tratamento das diarreias? Por que razão as incluímos na dieta para gastroenterite felina?

Nas enteropatias inflamatórias intestinais (EII) encontramos uma alteração funcional e estrutural das células epiteliais que formam, no seu conjunto, a barreira protetora do sistema imunitário do gato. Bactérias, vírus e até alguns alimentos atuam como agentes patogénicos, gerando uma resposta imunitária intensa e facilitando a inflamação.

Assim, a estratégia nutricional procura moderar a resposta imunitária no intestino e diminuir a estimulação antigénica. Com a substituição das proteínas da dieta por proteínas de baixa antigenicidade (proteínas novas) ou com a utilização de proteínas hidrolisadas conseguimos reduzir o risco de reações de hipersensibilidade.

Para distinguir as gastroenterites causadas por reações adversas ao alimento (RAA) daquelas que não o são, convém realizar um Teste de Eliminação, que consiste em alimentar o cão ou o gato exclusivamente com uma dieta hipoalergénica (ou de eliminação) veterinária durante 3-4 semanas. Se não existirem melhorias podemos descartar as RAA. Se, pelo contrário, o animal melhorar (total ou parcialmente) é provável que se trate de RAA, devendo-se introduzir uma dieta experimental para determinar o ingrediente que está a causar o problema.

 

O que são as proteínas novas?

As proteínas novas são proteínas que provêm de ingredientes pouco comuns na alimentação do animal, selecionadas para minimizar a exposição a possíveis alergénios. Observou-se que certos ingredientes causam reações adversas ao alimento (RAA) com frequência, entre eles os seguintes: laticínios, vitela, peixe (nos felinos), trigo (nos cães) e, desde 2016, o frango também é considerado um possível alergénio para os cães. A Dra. Cecilia Villaverde falou deste assunto e das estratégias para as diarreias caninas e felinas na AMVAC 2016.

De facto, a estratégia de utilizar proteínas novas é baseada no tratamento de pacientes com EII, como se se tratassem de pacientes com reações adversas aos alimentos (intolerâncias e alergias).

As novas dietas para a gestão da gastroenterite felina são desenvolvidas com proteína de peru e de ervilha como fontes de proteína nova, como é o caso da dieta da Advance Gastroenteric Sensitive Feline Formula.

E as proteínas hidrolisadas são adequadas para a dieta em gastroenterites felinas?

Na verdade, as proteínas hidrolisadas são uma boa alternativa devido ao facto de serem menos antigénicas do que as proteínas intactas. São péptidos de tamanho pequeno, que possuem uma elevada digestibilidade, facilitando a absorção de nutrientes.

É geralmente aceite a teoria de que a administração de proteína intacta em pacientes com a barreira intestinal alterada irá permitir a passagem de maiores moléculas de proteína (mais alergénicas) para a própria camada, e isto provocaria intolerâncias alimentares. A proteína hidrolisada reduziria este problema.1

 

Eficácia das proteínas novas e hidrolisadas: dieta gastroenterites felinas

Alterar a dieta selecionando proteínas intactas de novas fontes ou proteínas hidrolisadas é a primeira ação a realizar em gastroenterites felinas crónicas. No caso da pancreatite crónica, as dietas de proteínas novas e/ou hidrolisadas também são de interesse principal, já que estão associadas às EII e/ou à colangite, sendo que os pacientes costumam responder positivamente às fontes de proteína selecionadas.

Cerca de 50% dos gatos com gastroenterite idiopática reagem melhorando o quadro clínico apenas com a dieta de eliminação, no entanto, apenas em 29% dos casos a intolerância ou alergia alimentar é real.

A dieta de eliminação será indicada durante 4-8 semanas para determinar se se trata de uma alergia ou intolerância alimentar real. Se não for, é recomendável fornecer uma dieta muito digestível, adequada às gastroenterites felinas, que poderá conter proteínas novas ou hidrolisadas para reduzir o risco de hipersensibilidade, juntamente com outros nutrientes que compensem o possível défice provocado pela má absorção de nutrientes, como o de vitamina B12.

“É importante garantir que a dieta de eliminação é realizada de forma rigorosa, já que se o gato tiver acesso a comida no exterior, humana ou de outros animais, não faz sentido manter a dieta hidrolisada durante estas semanas, uma vez que os resultados não serão úteis.2

Na maioria dos casos, os gatos com gastroenterite apresentam melhorias numa questão de dias, graças à dieta.

Em resumo, a estratégia nutricional nos casos de vómitos e diarreias nos felinos passa por diminuir a estimulação antigénica intestinal e modelar a resposta imunitária local, selecionando para o efeito uma fonte nova de proteínas ou proteínas hidrolisadas, que conseguem minimizar o problema gastrointestinal felino numa questão de dias.

New Call-to-action
  1. Cecilia Villaverde. Opções dietéticas para pacientes com doença inflamatória intestinal. Apresentado na AMVAC 2016, de 3 a 5 de março de 2016 em Madrid, Espanha. Livro de apresentações e comunicações da AMVAC 2016, p. 305-309.
  1. Lluís Ferrer. Dermatite atópica felina. Apresentação no Gemfe 2016, de 5 a 7 de fevereiro de 2016 em Alicante, Espanha.