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As dúvidas e obstáculos que o dono terá de ultrapassar no tratamento da obesidade são muitos. O medo de que o cão passe fome, a falta de consciência sobre a doença e a ineficácia de certas rações light comerciais contribuem para que o dono desista antes de alcançar o objetivo. Trata-se de um desafio para além das consultas?

Ainda que os donos não gostem de o admitir, a obesidade é, efetivamente, uma doença e deve ser tratada por meio de um plano veterinário específico.

 

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Além de veterinários… também teremos de ser coach?

O papel do veterinário em relação à obesidade passa por elaborar um plano individual de cada cão, que contenha, para cada caso, as diferentes necessidades energéticas, a variabilidade da resistência do organismo à perda de peso e a possibilidade de recuperação do peso perdido.

No entanto, não basta conceber um bom plano de emagrecimento, sendo igualmente necessário motivar o dono e realizar um acompanhamento e aconselhamento contínuos que assegurem o cumprimento do programa.

Para isso poderá recorrer a múltiplos programas concebidos especificamente para facilitar o cálculo e a periodicidade ideais para a perda de peso, e como consegui-lo passo a passo. A Affinity Petcare dispõe do Obesity Management, um programa de perda de peso gratuito que inclui um consultor nutricional, concebido para que possa fazer o acompanhamento semanal de vários pacientes ao mesmo tempo.

Um dos fatores determinantes no emagrecimento é a escolha de uma boa dieta para a perda de peso e a sua manutenção. Vejamos quais as características que são indispensáveis.

 

Como é composta uma boa dieta para a obesidade ou excesso de peso?

A intervenção dietética com restrição do fornecimento energético é o único tratamento eficaz para que o cão consiga perder peso. Observou-se que uma restrição de 25%, além de reduzir o peso e a massa corporal, consegue reduzir os triglicéridos no soro, os níveis de triiodotironina, de insulina e de glicose, todos eles indicadores do envelhecimento. A intervenção dietética é mais eficaz se for combinada com a atividade física, pelo que se recomenda aos donos aumentar a quantidade de exercício físico do seu cão como parte integrante do programa de emagrecimento.

Porém, na intervenção dietética, reduzir apenas a quantidade de alimento não é uma boa prática, já que para além de originar insatisfação no animal e uma maior sensação de apetite, pode provocar um défice de nutrientes essenciais.

O ideal é utilizar uma dieta veterinária específica que tenha em conta o seguinte:

  • Controlo da sensação de saciedade: consegue-se aumentando o número de proteínas e de ácidos gordos de cadeia média
  • Redução da densidade energética: aumentar o fornecimento de fibra e reduzir a quantidade de gordura.
  • Boa palatabilidade

“Nem todas as rações light para cães são eficazes no controlo da obesidade. A gestão correta da doença passa por uma dieta veterinária e um plano de tratamento individual”.

 

Que nutrientes são importantes numa dieta de emagrecimento?

Algumas das estratégias nutricionais nas dietas para a obesidade são:

  • Aumento de água e/ou redução da densidade física do alimento seco.
  • Redução dos hidratos de carbono com índice glicémico elevado para evitar problemas no controlo da glicose no sangue.
  • Aumento de proteínas: melhoram a composição corporal, conservando a massa magra. São importantes a longo prazo, uma vez que o gasto energético depende da massa muscular. Além disso, aumentam a sensação de saciedade. Não existem estudos que demonstrem problemas renais causados pelo aumento das proteínas nos cães.
  • Equilíbrio de ácidos gordos w-6 / w-3: Uma proporção de entre 5 e 10 no cão reduz a produção de mediadores inflamatórios, característicos do estágio pró-inflamatório da obesidade.
  • Ácidos gordos de cadeia média, como os do óleo de coco: aumentam o gasto energético e a sensação de saciedade e favorecem o controlo do peso se forem usados como substitutos dos ácidos gordos de cadeia longa.
  • Alto teor de fibras: menor concentração energética, abrandamento do esvaziamento gástrico e absorção lenta dos nutrientes (solúveis), um maior bolo alimentar (insolúveis), ajuda na redução da glicemia pós-prandial na diabetes e na redução dos lípidos no sangue, maior sensação de saciedade.
  • Antioxidantes: neutralizam o stress oxidativo provocado pela obesidade, que pode provocar outras doenças simultâneas.
  • L-carnitina: contribui para a oxidação dos ácidos gordos nas mitocôndrias, favorecendo o emagrecimento e a perda de massa gorda.

 

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