Displasia da anca em cães: nutrientes para reduzir a dor

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A displasia da anca em cães pode originar osteoartrite com o passar do tempo. É necessário agir sobre o problema a longo prazo, sendo que a dieta pode desempenhar um importante papel na redução da dor e regredir a degeneração da cartilagem.

Enviado pela Vets Affinity sexta-feira, 21 de julho de 2017 – 01:06.

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A displasia da anca em cães é um desenvolvimento anormal da cabeça do fémur e/ou do acetábulo. Trata-se de um problema congénito associado a determinadas raças ao qual se juntam outros fatores como a obesidade, a atividade física excessiva, um crescimento demasiado rápido ou a hipovitaminose C.

 

A displasia da anca em cães: prenúncio de osteoartrite

A displasia da anca nos cães provoca claudicação (coxear) e dor ao movimentar a articulação coxofemoral. No caso dos cachorros a dor é predominante, ao passo que nos cães adultos a displasia provoca mudanças degenerativas na articulação, originando osteoartrite. A dor irá depender da gravidade do quadro clínico, mas fatores como a obesidade e a atividade física também influem no processo.

 

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A osteoartrite pode limitar bastante a vida quotidiana do cão, devido à dor, à claudicação, à rigidez e à inflamação que pode provocar no animal. O envelhecimento também é um fator que favorece o aparecimento da osteoartrite.

 

Tratamento da displasia da anca em cães e da osteoartrite:

Geralmente, o tratamento tem uma abordagem polivalente, sendo necessário instaurar mudanças no ambiente e nos hábitos do animal, como a perda de peso e evitar o exercício físico, em conjunto com tratamento analgésico. O controlo da alimentação nestes animais consegue ajudar a melhorar a sua mobilidade e a reduzir a dor.

 

Nutrientes para reduzir a dor:

O tratamento da dor não se baseia apenas em conseguir um alívio a curto prazo, durante as crises agudas. Deverão ser implementadas ações com vista ao longo prazo, para tentarmos estabilizar ou regredir as lesões na cartilagem motivadas pela rápida mineralização do osso, da membrana sinovial e da cartilagem.

Existem nutrientes que ajudam a modificar as estruturas da articulação e a modelar as vias bioquímicas que provocam a inflamação. Com tudo isto, será possível abrandar a progressão da doença. Pode consultar estes assuntos nos vídeos  do website da Vets Affinity.

 

Principais nutrientes relacionados com a proteção da cartilagem:

Ácido hialurónico: trata-se de glicosaminoglicano não sulfatado. Faz parte do líquido sinovial e da cartilagem. É responsável pela elasticidade, viscosidade e lubrificação fornecidas pelo líquido sinovial.

Com a existência de uma patologia articular, a concentração de ácido hialurónico diminui, perdendo-se as propriedades elásticas e viscosas do líquido sinovial, afetando a cartilagem.

É amplamente sabido que o ácido hialurónico intra-articular reduz a dor e melhora a mobilidade do paciente. O que sucede é que o ácido hialurónico estimula os sinoviócitos para que sintetizem uma maior quantidade de ácido hialurónico endógeno, aumentando desta forma a síntese do colagénio.

No que toca à administração oral, o ácido hialurónico de elevado peso molecular possui uma biodisponibilidade bastante elevada. É absorvido no intestino delgado. Possui um alto tropismo pelo tecido conjuntivo da pele e das articulações (Balogh 2008).

 

Vitamina K: vitamina lipossolúvel que pode estimular ou inibir a calcificação que se produz a nível dos vasos, cartilagens e ossos.

Tem uma grande avidez pelo cálcio. Existem proteínas na matriz extracelular da cartilagem, como a osteocalcina e a proteína GLA da matriz, que dependem da vitamina K. A mineralização do osso é controlada pela osteocalcina, enquanto que a proteína GLA da matriz inibe essa mineralização. O papel da vitamina K reside em equilibrar a mineralização através da inibição ou estimulação destas vias.

Em estudos efetuados em seres humanos, observou-se uma relação estatística entre os baixos níveis de vitamina K e uma menor densidade óssea, com o consequente aumento do risco de fraturas (Feskanich 1999; Tsugawa 2008; van Summeren 2008).

Também em relação a humanos, comprovou-se que o fornecimento diário de vitamina K aumenta a densidade mineral dos ossos nas mulheres que se encontram no período pós-menopausa (Iwamoto 2001).

 

Sulfato de condroitina e glucosamina: a glucosamina é uma das subunidades que compõem os glucosaminoglicanos, parte essencial da substância da cartilagem. No grupo dos  glucosaminoglicanos, o sulfato de condroitina é o mais predominante no colagénio articular. O sulfato de condroitina também é parte integrante dos ossos, dos discos vertebrais e dos tendões.

Existem estudos clínicos que demonstram que a administração oral de glucosamina e de sulfato de condroitina em cães com osteoartrite melhora a dor e diminui a gravidade da doença a partir do dia 70 (Mc Carthy 2007).

A proteção proporcionada pela combinação de sulfato de condroitina e glucosamina foi comprovada por meio de estudos in vitro, já que o seu efeito inibe a ação de várias enzimas responsáveis pela degradação da cartilagem, além de incrementar a produção endógena de ácido hialurónico.

Ácidos gordos ómega 3: Doses elevadas de ácidos gordos ómega 3 poderão diminuir os níveis séricos e o índice de atividade das enzimas responsáveis pela destruição de proteoglicanos e de citocinas pró-inflamatórias, beneficiando assim uma cartilagem em degradação.

Antioxidantes: a destruição da cartilagem gera mediadores da inflamação (metaloproteínases), stress mecânico e moléculas oxidantes (ROS). As ROS mais relevantes são o óxido nítrico, óxido peroxinítrico e os aniões de superóxido. A sua ação contribui ainda mais para degradação da cartilagem.

Regressando ao assunto dos cães com osteoartrite, um estudo da Affinity Petcare evidenciou um baixo nível de calcificação na cartilagem em cães com níveis elevados de vitamina K.

 

A restrição energética como medida de apoio à cartilagem doente:

As doenças traumáticas ou degenerativas (fraturas do úmero, osteoartrite, rotura do ligamento cruzado anterior) são mais frequentes nos cães com excesso de peso (Edney 1986, Brown 1996, Smith 2001, Lund 2006).

O sobrepeso agrava o stress mecânico que suporta a articulação, originando o início da osteoartrite. Mas para além deste efeito unicamente mecânico, o excesso de gordura corporal influencia também o metabolismo ósseo e da cartilagem, devido ao estímulo pró-inflamatório que origina, desencadeando os processos que influem no desenvolvimento da osteoartrite. (Blum 1992, Larson 2003). Em 2007, Rocksin et al evidenciaram a importância das dietas na redução do peso em cães com osteoartrite e claudicação.

Para resumir, todos estes nutrientes ajudam a diminuir a dor do cão e a melhorar substancialmente o seu nível de atividade quotidiana, sendo que existem diversos meios para o fazer, além da alimentação completa, como é o caso dos suplementos Articular Forte.

 

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