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    Lesões na pele nos cães: Dermatite por Malassezia

    As doenças de pele nos cães são um dos transtornos mais comuns aos quais temos que fazer frente. Estes transtornos manifestam-se através de cascas na pele, erosões, pele muito seca e perda de pelo. Podem ser causadas por parasitas, alergias e infeções bacterianas, sendo problemas de larga duração que requerem tratamentos persistentes.

    Descarregue de forma gratuita → Relatório sobre o papel da dieta na dermatite  atópica canina. Inclui: tratamento nutricional para diminuir a resposta inflamatória,  hipersensibilidade, prurido..

    Introdução

    A Malassezia é uma levedura lipofílica que pertence à classe Deuteromycetes e à mesma família que Cryptococcus spp. Atualmente distinguem-se oito espécies de Malassezia a partir da analise do seu genoma.

    1. pachydermatis recebe a consideração de espécie estritamente zoófila, considerada simbiótica, reside normalmente na pele, cuja a sua presença impede a colonização de outros fungos mais patogénicos. Este organismo pode ser facilmente isolado da boca, orelhas, genitais e pés de cães saudáveis. O crescimento exagerado da Malassezia fica impedido pela descamação normal da pele, as propriedades fúngicas do filme hidrolipídico da pele e os mecanismos imunitários, tais como, a IgA das secreções das glândulas apócrinas e da imunidade mediada por células, de modo que, caso se prolifere, torna-se patogénico alterando esse equilíbrio.

    Entre os problemas adquiridos que favorecem o seu crescimento exagerado encontram-se a doença alérgica, a imunossupressão causada por uma doença hormonal ou dos corticosteroides e o uso de antibióticos.

    Lesões na pele: Quadro clínico

    A dermatite por Malassezia ocorre maioritariamente em cães adultos. Não existe uma predileção sexual ou de idade, mas sim uma predisposição à infeção em certas raças.

    Lesões na pele no cão com Malassezia estão associadas a dois síndromes clínicos:

    • Síndrome de hiperceratose e hiperpigmentação, eritema e cascas. As lesões são pruriginosas e podem largar um cheiro a ranço. Normalmente têm gordura sebácea, mas pode ser que as lesões sejam secas.
    • Lesões crónicas com alopecia e liquenificação.

    Esta infeção da pele é mais comum nos meses quentes (maior presença de parasitas cutâneos, alergénicos do pólen e uma maior humidade ambiental). A infeção por Malassezia normalmente começa no abdómen, e pode estender-se para as regiões inguinais, axilares ou musculares pescoço. É frequente a infeção dos lábios e da pele circundante, sobre tudo do lábio inferior. A pododermatite aparece em forma de eritema interdigital e de cor castanha na base das unha em caso de infeção do leito ungueal. M. pachydermatis encontra-se no canal auditivo de cães saudáveis, mas geralmente prolifera sozinho ou em conjunto com bactérias e causa uma otite externa eritematosa e cerosa com prurido e exsudato ceroso vermelho-acastanhado.  

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    Diagnóstico

    O diagnóstico geralmente realiza-se mediante citologia. Sob uma ampliação 400x, considera-se normal contar 1-2 células de Malassezia numa pele saudável e até 10 em caso do canal auditivo. Visto que não invade a epiderme a histologia não é uma prova sensível para a infeção por Malassezia. Os principais diagnósticos diferenciais incluem todas aquelas doenças que causa dermatite pruriginosa eritematosa com seborreia, liquenificação e hiperpigmentação. Entre elas encontramos alergias (atópicas, alimentares e por pulgas), pioderma superficial e defeitos da queratinização. É importante recordar que quase todos estes diagnósticos diferenciais podem ser a causa desencadeante da infeção com Malassezia.  

    Tratamento

    São aplicados agentes imidazólicos, recomendados em casos extensos ou resistentes, intraconazol 5 mg/kg por dia ou ketoconazol 5-10 mg/kg BID durante 20 dias, juntamente com banhos terapêuticos semanais. O tratamento tópico é eficaz por si só em infeções da pele recentes e localizadas. Os champôs podem incluir clorhexidina entre 2 % e 4 %, 2 % de miconazol, enilconazol, diclorofeno e agentes queratoliticos/ceroplásticos. Nos casos resistentes ou reincidentes pode ser necessário o tratamento regular com champô depois de ter sido suspenso o tratamento sistémico.

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