epilepsia caes Tempo de leitura: 2 minutos

Há ocasiões em que é complicado distinguir entre uma crise epilética e outros distúrbios paroxísticos não-epiléticos. Apresentamos-lhe o consenso da International Veterinary Task Force, que disponibiliza recomendações para que o dono possa ajudar a realizar o diagnóstico de epilepsia nos cães.

Em 2015 foi publicado um consenso da International Veterinary Task Force (1), referente a importância da identificação de crises epiléticas por parte do dono. Preparam inclusive um questionário para ajudar na identificação das crises epiléticas.

O objetivo do consenso International Veterinary Task Force(1) é melhorar o diagnóstico da epilepsia a nível clínico e de investigação. A abordagem diagnóstica de um paciente com suspeita de epilepsia necessita de dois passos: primeiro saber que os episódios realmente são crises epiléticas, em segundo lugar identificar a causa dessas crises epiléticas.

A distinção entre crises epiléticas e eventos paroxísticos não-epiléticos pode ser muito complicada, mesmo por especialistas. O consenso apresenta critérios que facilitem essa distinção. Também apresenta critérios para facilitar o diagnóstico das epilepsias generalizadas idiopáticas.

 

São crises epiléticas? Se não, o que o cão está a fazer?

Por vezes é difícil ter a certeza de que o cão está a ter uma crise epilética. Por isso é tão importante o histórico médico. O dono pode completar um questionário e gravar um vídeo caseiro, com o telemóvel, para que possamos ver a posteriori as supostas crises epiléticas.

 

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Um exame físico geral, inclusive um exame neurológico, pode ajudar-nos a distinguir uma síncope e uma crise no caso de existirem anomalias cardiovasculares, ou entre uma doença neuromuscular ou disfunção vestibular.

 

Existem certas características que podem ajudar-nos a distinguir uma crise epilética e um evento paroxístico não-epilético

As discinesias paroxísticas são difíceis de distinguir das crises motoras, já que em ambos os casos o animal encontra-se normal entre os episódios.

A certeza absoluta sobre a origem epilética de um evento paroxístico só pode ser obtida através de um vídeo-EEG realizado durante um desses eventos. Por isso é muito difícil obter-se na prática clínica. Além disso os artefactos que se produzem durante o registo EEG (artefacto de músculo, de ECG) podem afetar a interpretação correta do EEG.  Dada a pouca literatura que existe no mundo veterinário, não existem de momento recomendações para o registo EEG.

 

Diagnóstico etiológico da epilepsia nos cães

Em cães com menos de 6 meses ou com mais de 6 anos, que apresentem anomalias neurológicas interictais, estado epilético ou clusters de crise ao início da epilepsia, ou uma suposta epilepsia generalizada idiopática que seja farmacorresistente, uma vez descartadas as crises sintomáticas agudas (crises reativas,) os autores recomendam realizar uma ressonância magnética cerebral (RM) e uma análise básica do líquido cefalorraquidiano (LCR) para estabelecer a etiologia das crises.

Além deste artigo recomendado, existem páginas especializadas no tema. A partir daqui recomendamos esta.

 

  1. De Risio L, Bhatti S, Muñana K, Penderis J, Stein V, Tipold A et al. Proposta do consenso International veterinary epilepsy task force: abordagem diagnóstica da epilepsia nos cães. BMC Vet Res. 2015;11(1).

 

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