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Como gerir uma clínica veterinária? Uma medida fundamental na gestão da sua clínica veterinária e do marketing da mesma é monitorizar a rentabilidade dos produtos e serviços que oferece, bem como a liquidez disponível para fazer frente a algum imprevisto.

Uma clínica veterinária, como qualquer outra empresa, pode ter um grande volume de receitas, isto é, uma elevada faturação, mas por outro lado a sua rentabilidade ser muito baixa (negativa até). Também pode acontecer o seguinte: apesar de uma elevada faturação, não existir dinheiro suficiente para efetuar pagamentos ou para qualquer outro imprevisto. Perante este cenário, sabemos que temos formação em medicina veterinária, mas ocorre-nos a pergunta “como gerir uma clínica veterinária?”

 

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Monitorizar a rentabilidade e a liquidez é essencial para a gestão do seu negócio: é necessário detetar o quanto antes qualquer desvio nas contas, passível de prejudicar a situação económica da clínica veterinária.

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Rácios de rentabilidade da clínica

Para respondermos à pergunta “como gerir uma clínica veterinária mantendo um nível adequado de rentabilidade” podemos utilizar a fórmula DuPont:

ROE (24) = (Lucro Líquido / Receitas) [1] x (Receitas / Ativos) [2] x (Ativos / Recursos Próprios) [3]

fórmula DuPont mostra-nos a rentabilidade da clínica (medida pelo ROE, que equivale ao lucro dividido pelos recursos próprios da empresa), sob a forma de uma função de três fatores:

  1. A margem de lucro. Se os preços praticados pela clínica forem superiores (devido a um bom marketing, a uma boa combinação de serviços de maior valor acrescentado…) e se as despesas forem bem dimensionadas, o negócio terá uma boa margem de lucro e, deste modo, será mais rentável.
  2. A rotação de ativos. Este indicador diz-nos quão eficiente é a clínica no que diz respeito à utilização dos seus investimentos: Está a gerar muitas ou poucas vendas, proporcionalmente ao investimento efetuado em clientes, inventários, equipamento, instalações, etc.? Quanto maior for o valor das vendas geradas por um investimento, mais rentável será a empresa, no seu todo. Assim, uma compra impulsiva, pouco estudada, de equipamento de diagnóstico caro, que posteriormente será pouco utilizado, é uma das causas mais comuns de sobrecarga da rentabilidade de uma clínica veterinária.
  3. Suporte financeiro. Já referimos este rácio há algumas semanas. Indica-nos em que proporção a clínica utiliza os recursos próprios (capital) ou alheios (dívida) para financiar os seus investimentos. Se uma clínica aumentar este indicador devido ao aumento do seu nível de endividamento, isto será mais rentável para os sócios; mas se se exceder um limite razoável (é complicado definir um valor concreto), aumentará significativamente o risco de não conseguir efetuar os pagamentos de dívida, se as receitas diminuírem.

 

Como gerir uma clínica veterinária: monitorizar os rácios de liquidez para uma gestão adequada do seu negócio

O que queremos dizer quando falamos de  “liquidez”? É a capacidade da clínica para fazer frente aos pagamentos a curto prazo.

  • O rácio de liquidez compara os ativos circulantes da empresa com o passivo circulante.

Rácio de liquidez = ativo circulante*/passivo circulante**

*Dinheiro disponível no dia corrente ou que estará disponível em menos de um ano
**Dívidas que vencem em menos de um ano

  • O coeficiente de tesouraria é uma medida mais radical da liquidez porque compara apenas o dinheiro que está efetivamente disponível no imediato (“caixa registadora e bancos”) com o passivo circulante.

Coeficiente de tesouraria = tesouraria*/passivo circulante

*Dinheiro físico disponível em dado momento

  • O rácio de tesouraria em dias de pagamentos compara o dinheiro disponível com o total de pagamentos diários que a clínica deverá efetuar e determina quantos dias de pagamentos a empresa conseguiria suportar com o atual valor de dinheiro disponível.

Rácio de tesouraria em dias de pagamentos = (tesouraria / total de despesas) x 300

Quando um ou os três indicadores apresentam uma tendência negativa podemos acionar o alarme porque a estrutura económica da nossa empresa pode estar em perigo. É preciso determinar uma periodicidade para a elaboração destes cálculos (anualmente, semestralmente, trimestralmente…), já que um cálculo esporádico, em geral, não nos irá fornecer informações suficientes.

 

Texto original:
PERE MERCADER, DVM MBA
@pmercadervms

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