Hepatite infecciosa canina: diagnóstico, tratamento e prognóstico

hepatite infecciosa canina Tempo de leitura: 3 minutos

A hepatite infecciosa canina é um grupo heterogéneo de doenças necrótico-inflamatórias do fígado, e portanto a histologia é fundamental para o diagnóstico. Enquanto que nos humanos cada vez mais se reconhece a etiologia viral, no caso dos cães a maioria continua a ser de tipo idiopática.

 

O que é a hepatite canina crónica?

O conceito de hepatite crónica canina (HCC) engloba um grupo de doenças hepáticas caracterizadas pela presença de inflamação e necrose, e na maioria delas desconhece-se o que as provoca. Dentro destas últimas, denomina-se hepatite crónica idiopática, excluindo-se as infeções, que estão relacionadas com o cobre, bem como com fármacos.

Atualmente, os critérios de definição e nomenclatura foram-se aproximando, e define-se como hepatite crónica canina a presença de uma inflamação moderada a severa nas regiões portais, com necrose dos hepatócitos adjacentes ao espaço portal, unindo-se por vezes entre lóbulos hepáticos nos cães com sinais clínicos e alterações laboratoriais da doença hepática.

Entre as causas mais estudadas, encontram-se aquelas relacionadas com acumulações de cobre no interior dos hepatócitos. Em muitos casos, a hepatite crónica progride até uma cirrose. Existe uma clara predisposição de raças nos Bedlington Terrier, West Highland White Terrier (WHWT), Dobermann, Cocker Spaniel e Americano, Caniche e Labrador Retriever.

Entre aquelas com etiologia infecciosa, merece destaque a hepatite crónica canina associada à leishmaniose canina (leishmania infantum) (se deseja mais informação sobre a leishmaniose clique aqui)

 

Exames diagnósticos

  • Histologia: levada a cabo através da biópsia hepática, é fundamental para o diagnóstico da hepatite crónica canina. A gravidade é evidente pela necro-inflamação (mínima, média, moderada ou grave) e a cronicidade reflete a extensão da fibrose (nula, média, moderada, grave ou cirrose).

 

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  • Ecografia: através da ecografia, é possível observar massas, micro-hepatite, anomalias venosas e mudanças biliares, muitos deles associados a alterações histopatológicas específicas. No entanto, as anomalias ecográficas hepáticas possuem limitações importantes na previsão da doença hepática subjacente (para obter mais informações sobre descobertas ecográficas clique aqui)
  • Laboratório: as análises irão mostrar alterações do hemograma (anemia, leucocitose, trombocitopenia), coagulopatia (alargamento de PT e APTT, diminuição das plaquetas, AT e fator IX, sobretudo na presença de cirrose), alterações bioquímicas (elevação de transaminases e fosfatase alcalina, hipoalbuminemia, hipocolesterolémia, hiperglicemia).

 

Sintomas

Na maioria das vezes apresentam sinais clínicos inespecíficos que costumam ser detetados quando a doença já está avançada, ou por meio de uma análise rotineira.

Os cães com hepatite crónica associada ao cobre desenvolvem os sinais clínicos tardiamente, no decurso da doença, ainda que o cobre possa começar a acumular-se a partir dos 5-6 meses de idade (Labrador Retriever).

No que toca ao quadro clínico, merece destaque:

  • Quando os cães não sofrem uma falência hepática, costumam mostrar sintomas de letargia, falta de apetite, perda de peso e/ou vómitos.
  • Quando a falência hepática acontece (cirrose), frequentemente se observa diarreia, debilidade, poliúria/polidipsia, podendo existir icterícia e/ou ascite (pouco frequente), e são raros os casos em que se observaram convulsões (provocadas por encefalopatia hepática), hemorragias e febre.
  • Segundo cada raça, existem alguns dados característicos:
  • BEDLINGTON TERRIER. Pode surgir de três formas diferentes: quadros agudos, nos quais se destacam a anemia hemolítica associada ao cobre, com hemoglobinúria e icterícia provocadas pela necrose hepática aguda em cães menores de 6 anos, com um baixo índice de sobrevivência; em animais adultos e idosos, um quadro progressivo e lento; existe um grupo de animais assintomáticos que podem evoluir para qualquer um dos quadros anteriormente referidos.
  • Animais assintomáticos, quadros inespecíficos.
  • Predisposição acentuada em fêmeas de todas as idades. Quadro clínico associado a doença hepática crónica.
  • Predisposição para machos jovens adultos, quadro clínico severo.

A hepatite crónica idiopática afeta cães adultos, sem nenhum tipo de predisposição sexual nem de raça, com um quadro de doença hepática crónica.

 

Tratamento da hepatite canina crónica

O tratamento baseia-se no uso de quelatos do cobre (penicilamina e trientina), no caso de HC em cães de raça Bedlington Terrier. Nos restantes casos, tratamento de apoio, podendo também ser eficaz uma alimentação com baixos níveis de cobre.

 

Prognóstico

Um mau prognóstico associa-se à ausência de um diagnóstico precoce, aos sinais de evolução para cirrose hepática e ao aumento da bilirrubina total sérica na hepatite crónica canina idiopática, de acordo com as publicações encontradas sobre o assunto.

 

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