Hiperqueratose em cães: abordagem da hiperqueratose nasodigital | Vets & Clinics

O espaço de referência dos veterinários #SomosVets

Hiperqueratose em cães: abordagem da hiperqueratose nasodigital

A hiperqueratose em cães é caracterizada por um aumento da quantidade de tecido queratinizado no plano nasal (hiperqueratose nasal), nas almofadinhas (hiperqueratose digital ou plantar) ou em ambos (hiperqueratose nasodigital).

Medicina e cuidados

Introdução

A hiperqueratose em cães é caracterizada por um aumento da quantidade de tecido queratinizado no plano nasal (hiperqueratose nasal), nas almofadinhas (hiperqueratose digital ou plantar) ou em ambos (hiperqueratose nasodigital).

Quer saber mais sobre o uso de doxiciclina em cães e gatos? Descarregue grátis o guia com artigos científicos completos

O excesso de queratina causa o espessamento e o endurecimento da pele afetada e a secura é a característica comum a todas as lesões hiperqueratóticas.1

Nos cães afetados, a trufa, que em cães normais é lisa, flexível, brilhante e húmida, torna-se dura e rugosa, além de aumentar de espessura, particularmente na parte dorsal. O tecido epidérmico seco pode gretar ou erodir e apresentar úlceras.

Quando a produção de queratina é afetada nas almofadinhas, a zona mais afetada é a periferia. A hiperqueratose nas zonas de apoio costuma ser menos intensa, visto que o roçar ao caminhar desgasta a queratina. Este transtorno costuma estar associado a dor ou incómodo ao andar devido ao excesso de tecido queratinizado que se acumula nas almofadinhas endurecidas e gretadas.

Causas de hiperqueratose em cães

A hiperqueratose nasodigital é provocada por várias causas que podem ser classificadas de acordo com a sua origem.

A hiperqueratose hereditária costuma aparecer em idades precoces e em raças predispostas. Um exemplo é a hiperqueratose familiar das almofadinhas plantares, que afeta sobretudo o Dogue de Bordéus e os Terriers. Também foi descrita a paraqueratose nasal hereditária do Labrador Retriever, um transtorno no qual as lesões nasais costumam aparecer pela primeira vez entre os 6 e os 12 meses de idade em cães que, fora isso, apresentam-se saudáveis.2,3

A hiperqueratose em cães pode ser também secundária a uma grande variedade de transtornos, tais como doenças infeciosas e imunomediadas (esgana canina, leishmaniose, pênfigo foliáceo ou eritematoso, lúpus eritematoso sistémico ou discoide), congénitas (ictiose), doenças alimentares (dermatose sensível ao zinco), eritema necrolítico migratório ou linfoma cutâneo.1-3

A hiperqueratose nasodigital idiopática é mais comum e a principal afeção a considerar em cães de idade avançada que, à exceção do excesso de produção de queratina, estejam saudáveis e não apresentem outros sinais sistémicos ou patologias subjacentes.

hiperqueratose em cães

Diagnóstico e controlo clínico

O diagnóstico da hiperqueratose em cães pode ser bastante direto ou apresentar algumas dificuldades. Se as lesões características forem verificadas num cão de idade avançada sem outros problemas sistémicos ou cutâneos, o diagnóstico de hiperqueratose idiopática pode estabelecer-se com base nos achados clínicos.1

Quer saber mais sobre o uso de doxiciclina em cães e gatos? Descarregue grátis o guia com artigos científicos completos

Caso a hiperqueratose nasodigital ocorra associada a outras lesões cutâneas num cão jovem ou adulto ou caso se manifeste com uma despigmentação nasal ou digital, eritema, erosão ou crostas, todos os transtornos mencionados como possíveis diferenciais devem ser considerados e excluídos realizando os testes apropriados. Se a hiperqueratose for de tipo secundário (provocada por uma patologia subjacente), é fundamental tratar também essa doença.1

Visto que a formação de queratina na hiperqueratose idiopática não pode ser detida, o tratamento é crónico e direcionado para amolecer e eliminar o excesso de queratina. Como estas medidas requerem tempo e são algo complexas, costumam reservar-se para os doentes nos quais a hiperqueratose é incómoda e provoca gretamento da pele.

Nos cães com uma hiperqueratose pronunciada, o excesso de queratina pode ser eliminado com uma tesoura ou uma lâmina de barbear. Normalmente, o corte só é necessário no início do tratamento, visto ser possível minimizar a acumulação posterior de queratina através da aplicação de agentes hidratantes e emolientes.

O tratamento tópico deve incluir a hidratação e a aplicação de um agente antisseborreico. Após 5 a 10 minutos de hidratação, as partes afetadas devem ser cobertas por um agente queratolítico. Se a trufa ou as almofadinhas estiverem gretadas, também estão indicados os tratamentos tópicos com corticosteroides ou antibióticos.

Normalmente, a hidratação diária e a aplicação de substâncias emolientes devem ser mantidas de 7 a 10 dias até que a trufa e as almofadinhas recuperem a sua flexibilidade e um aspeto quase normal. Alguns tutores preferem interromper o tratamento nessa fase até voltar a verificar-se uma acumulação de queratina, ao passo que outros preferem manter uma a duas vezes por semana para a prevenir.1

Conclusões

A hiperqueratose em cães manifesta-se como uma acumulação de queratina de aspeto seco, endurecido e de espessura variável na trufa, nas almofadinhas ou em ambas. Pode ter uma causa hereditária, ser secundária a outros transtornos ou ser de origem idiopática, sobretudo em cães de idade avançada. O tratamento é direcionado para hidratar, amolecer e eliminar o excesso de tecido queratinizado através da aplicação de substâncias emolientes e queratolíticas.

AFF - TOFU - Guía GI Parte1 - POST

Bibliografia
1. Miller WH, Griffin CE, Campbell KL. Chapter 15: Keratinization Defects. In: Muller and Kirk's Small Animal Dermatology. 7th ed. St. Louis, Missouri: Elsevier Mosby. 2013; 639-640.
2. Pagé N, Paradis M, Lapointe JM, et al. Hereditary nasal parakeratosis in Labrador Retrievers. Veterinary Dermatology. 2003;14(2):103-10.
3. Peters J, Scott DW, Erb HN, et al. Hereditary nasal parakeratosis in Labrador retrievers: 11 new cases and a retrospective study on the presence of accumulations of serum ('serum lakes') in the epidermis of parakeratotic dermatoses and inflamed nasal plana of dogs. Veterinary Dermatology. 2003;14(4):197-203.
 
Anna Romero
Mestre em Comunicação Científica e tradutora veterinária

Coordenadora editorial da revista “Clínica Veterinaria de Pequeños Animales”