Imunoglobulina E total elevada: sintoma de alergia

imunoglobulina E total Tempo de leitura: 3 minutos

Os processos alérgicos ou hipersensibilidades de tipo I são mediados por imunoglobulinas E (IgE). A dermatite atópica e a hipersensibilidade alimentar são duas das alterações alérgicas mais frequentes nos animais. Ambas se manifestam com sinais cutâneos (prurido, eritema, queda do pêlo, etc.), e nas alergias aos alimentos costumam surgir sintomas gastrointestinais.

 

Tipos de imunoglobulinas

As imunoglobulinas ou anticorpos são proteínas que formam parte do sistema imunitário adaptativo, e que podem ser encontradas sob a forma solúvel no sangue ou noutros fluidos corporais de animais vertebrados.

O anticorpo é constituído por unidades estruturais básicas, cada uma delas contendo duas grandes cadeias pesadas e duas cadeias ligeiras de menor tamanho. Estes anticorpos são sintetizados pelos linfócitos B. Existem diferentes tipos de anticorpo, denominados isotipos, classificados de acordo com a forma de cadeia pesada que possuem. Conhecem-se cinco classes diferentes de isotipos nos mamíferos, que desempenham funções diferentes, contribuindo para a gestão de uma resposta imunitária adequada frente a cada tipo de corpo estranho.

 

New Call-to-action

 

Os isotipos de anticorpos são IgM, IgE, IgG, IgD e IgA, e cada um deles desempenha um conjunto diferente de funções no sistema imunitário.

 

Imunoglobulina E

A imunoglobulina E total (IgE) está relacionada com os processos de alergia (reações de hipersensibilidade do tipo I).

Quando um agente alergénio penetra pela primeira vez no organismo do indivíduo hipersensível, é fagocitado pelos macrófagos, apresentando posteriormente as proteínas do alergénio na sua superfície. Esta ação ativa os linfócitos T, que identificam o agente alergénio e enviam sinais (mediadores químicos) aos linfócitos B, que por sua vez se transformam em células plasmáticas. A finalidade das células plasmáticas é a de produzir anticorpos e, neste caso, são produzidos IgE. Estas imunoglobulinas E fixam-se na superfície das células mediadoras, como é o caso das células de mastro ou dos mastócitos (localizados no tecido conectivo e subcutâneo), bem como nos basófilos em circulação. Neste caso, o organismo encontra-se num estado de sensibilização contra esse alergénio.

Após uma segunda exposição ao agente alergénio, dá-se a união a duas moléculas de IgE da superfície dos mastócitos, os quais libertam mediadores químicos responsáveis pelas manifestações inflamatórias da pele, como o eritema, o edema, prurido, etc., devido ao aumento da permeabilidade vascular e à vasodilatação periférica.

 

Imunoglobulina E elevada: quadro clínico

As reações alérgicas mais comuns nos animais são a dermatite atópica, a hipersensibilidade alimentar e a alergia à picada das pulgas, reações estas que, frequentemente, surgem em conjunto.

  • Dermatite atópica: manifesta-se por meio de lesões na pele, como o prurido, o eritema, queda de pêlo, hiperqueratose, hiperpigmentação e xerose, entre outras. Também podem surgir sinais de otite e de conjuntivite. Por vezes poderão surgir sinais não cutâneos como a rinite, tosse ou asma, sobretudo nos gatos. (Descarregue aqui o clinical report sobre dermatite atópica canina).
  • Hipersensibilidade alimentar: reação adversa ao alimento com uma base imunológica comprovada. Assim, não deverá ser confundida com a anafilaxia e a intolerância alimentares, que se tratam de outro tipo de reações aos alimentos com as quais o sistema imunitário não está relacionado. Frequentemente, torna-se difícil fazer a distinção entre uma hipersensibilidade alimentar e uma dermatite atópica, já que em ambos os casos surgem sintomas cutâneos, principalmente o prurido e os transtornos gastrointestinais. Por vezes, surgem também sintomas como a seborreia, pioderma, otite bilateral, etc.

Em ambos os problemas o diagnóstico é exclusivamente clínico. As biópsias de pele costumam ser úteis no processo e as dietas de eliminação são fulcrais para detectar qual o alimento nocivo para o animal. (Para obter mais informação sobre este tema clique aqui)

O tratamento com fármacos minimiza os sintomas, mas a eliminação dos agentes alergénios constitui a melhor terapia. Enquanto que no caso da hipersensibilidade alimentar o ato de evitar a ingestão do alimento prejudicial resolve o problema, na dermatite atópica a melhor opção é a hipossensibilização. O tratamento baseia-se na detecção dos agentes alergénios que causam a alergia, determinando os níveis de IgE existentes contra os mesmos (níveis de imunoglobulina E total elevada), e consiste em injetar soluções diluídas de alergénios em concentrações gradualmente crescentes e espaçadas no tempo.

 

Artigos relacionados:

 

New Call-to-action

Entradas relacionadas

No hay comentários

Ainda não existe nenhum comentário para esta entrada.

Escreva um comentário