Tempo de leitura: 3 minutos

Hoje faremos uma revisão da doença e tratamento da leishmaniose canina, uma das patologias caninas transmitidas por mosquitos mais predominantes na zona mediterrânica.

  • A leishmaniose é considerada endémica em toda a zona mediterrânica e o cão é o principal reservatório da doença.
  • Geralmente a leishmaniose canina é transmitida através de um vetor, o mosquito do género Phlebotomus, que injeta o parasita da Leishmania infantum quando pica o cão. A
  • Leishmania infantum é um protozoário intracelular forçado, que vive e se reproduz nos diferentes órgãos, afetando-os de forma sistémica e provocando a degradação progressiva do animal.

Tratamento farmacológico e necessidades nutricionais

Atualmente, o tratamento da leishmaniose consiste em:

Antimoniato de meglumina (Glucantime) 75-100 mg/kg uma vez ao dia ou 40-75 mg/kg duas vezes ao dia. É administrado durante 4 semanas, mas pode prolongar-se por mais 2-3 semanas se a melhoria não for total nas primeiras 4 semanas.

Alopurinol 10 mg/kg por via oral, duas vezes ao dia, durante 6-12 meses (pode prolongar-se a duração).

Foi comprovado que o acompanhamento do tratamento farmacológico com uma dieta adaptada às necessidades destes cães melhora o progresso do animal. Mais concretamente, Romano et al,  estudaram os efeitos de uma dieta com as seguintes características:

 

  • Elevado teor de antioxidantes como estimulante imunitário.
    • Níveis de proteína adequados a animais adultos de elevado valor biológico, para ajudar na recuperação de massa muscular minimizando os efeitos negativos a nível dos rins.
  • Alta digestibilidade e palatabilidade para ajudar na recuperação do peso.
  • Conteúdo reduzido de bases púricas para prevenir a formação de cálculos de xantina, como efeito secundário do tratamento com alopurinol.

Sinais clínicos da leishmaniose: as lesões cutâneas

A leishmania atua a nível sistémico ou visceral, afetando vários órgãos e sistemas, razão pela qual deveria ser incluída na maioria dos diagnósticos diferenciais. A maioria dos cães (cerca de 80%) desenvolvem sinais dermatológicos, que são os mais frequentemente diagnosticados. Além disso, a grande maioria também desenvolve sintomas gerais indeterminados, como apatia, febre e atrofia muscular, entre outros. Posteriormente, a doença pode evoluir e podem igualmente aparecer problemas do foro geral de vários órgãos, como epistaxe, problemas renais, hepatomegalia, etc.

Em resumo, podemos dizer que existem dois tipos de sinais e sintomas clínicos:

  • Nos lugares onde o parasita se multiplica: inflamação granulomatosa não purulenta localizada.
  • Diferentes localizações anatómicas: por depósito de imunocomplexos.

Por que razão existem cães infetados pela leishmaniose canina que não apresentam sinais clínicos?

Os cães desenvolvem diferentes manifestações da infeção por leishmania e alguns deles apresentam sintomas clínicos muito evidentes. Por outro lado, há outros nos quais não se observam manifestações clínicas. Constatou-se que estes fenótipos são o reflexo da resposta do sistema imunitário do animal e que dela irá depender a progressão da infeção e a resposta ao tratamento:

  • Cães infetados com sinais clínicos: resposta imunológica humoral, não protetora, que é incapaz de controlar a infeção (Th2).
  • Cães infetados sem sinais clínicos: resposta celular e protetora (Th1).

Assim sendo, testar o sistema imunitário de cada cão pode ser importante para avaliar a resposta ao tratamento. Existem vários testes para caracterizar o perfil imunológico dos cães com leishmania. Uma publicação do Dr. Lluís Ferrer e cols. conclui que os melhores testes para esta avaliação seriam uma combinação de sorologia (deteção de anticorpos antileishmania IgG1, IgG2 e IgGs totais), o teste de hipersensibilidade cutânea retardada (DHT) e a medição das citocinas (gama-interferão, factor de necrose tumoral) depois da estimulação com antigénio leishmania.

 

Deste modo, podemos classificar em 4 grupos os cães que vivem em zonas endémicas:

  1. Cães saudáveis e não infetados
  2. Cães infetados mas resistentes (resposta Th1)
  3. Cães com leishmaniose patente (resposta Th2)
  4. Cães infetados, com uma resposta Th2, que irão desenvolver a doença.

Referências:

Lluís Ferrer e Xavier Roura. Sinais clínicos da leishmaniose canina. 31 de agosto de 2010. Argos Portal Veterinário[web]. Disponível em: http://argos.portalveterinaria.com/noticia/6240/articulos-archivo/signos-clinicos-de-la-leishmaniosis-canina.html

Ferrer L, Solano-Gallego L, Arboix M, Alberola J. Avaliação da resposta imunológica específica nos cães infetados com Leishmania infantum. Vet Dermatol 2000; 11 (suppl. 1):1-13

 

New Call-to-action