Lúpus em cães: diagnóstico e tratamento

lúpus em cães Tempo de leitura: 3 minutos

O lúpus eritematoso sistémico em cães é uma doença multissistémica, de base auto-imune, que afeta vários órgãos e tecidos, provocando vários sinais clínicos. Não existe nenhum exame definitivo que confirme a doença, tratando-se de um diagnóstico principalmente clínico. A base do tratamento são os imunossupressores.

 

O que é o lúpus eritematoso sistémico?

O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença imunomediada multissistémica que pode desembocar em várias síndromes clínicas, como a poliatrite, glomerulonefrite, anemia hemolítica, trombocitopenia e alterações cutâneas. Desconhece-se a etiopatogénese completa; no entanto, verifica-se que se produz uma disfunção no sistema imunitário, devido a fatores genéticos e ambientais, produzindo anticorpos contra diversos tecidos e células do organismo.

Existe uma clara predisposição das raças Afegão, Beagle, Setter Irlandês, Collie, Bobtail, Caniche e Pastor Alemão, afetando principalmente animais adultos (média de 6 anos de idade).

Formam-se complexos antigénio-anticorpo circulantes, que causam lesões inflamatórias nos tecidos (glomerulonefrite, artrite e vasculite), bem como anticorpos contra células hematopoiéticas (anemia, trombocitopenia e leucopenia). Muito raramente, pode provocar pleurite, miocardite e afetar o SNC.

 

Como diagnosticar o lúpus eritematoso sistémico

O diagnóstico do LES baseia-se no historial clínico, num meticuloso exame físico e análises de laboratório, nomeadamente a medição de anticorpos antinucleares (ANA).

Critérios diagnósticos do LES:

  • Sinais principais: Lesões cutâneas, poliatrite, anemia hemolítica, glomerulonefrite, polimiosite, leucopenia e trombocitopenia.
  • Sinais menores: Febre, sinais neurológicos, úlceras orais, linfadenopatia, pericardite e pleurite.
  • Serologia: ANA positivo, células de Lúpus.
  • Diagnóstico: Dois sinais principais com ANA positivo e/ou células de Lúpus, ou um sinal principal, dois sinais menores com ANA positivo e/ou células de Lúpus.
  • Diagnóstico provável: Um sinal principal com ANA positivo e/ou células de Lúpus, ou dois sinais principais com ANA e células de Lúpus negativo.

Em relação aos sinais clínicos, estão associados aos diferentes órgãos afetados. Inicialmente, são sintomas locomotores com alterações no andar, claudicação intermitente e recorrente, causadas pela polimiosite e/ou poliatrite (75%), dor muscular na palpação e debilidade.

 

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No caso concreto da poliatrite associada ao LES, é uma atrite imunomediada não erosiva, sendo que o LES é uma causa rara de poliatropatia supurativa. Trata-se do sinal clínico mais frequente. (para saber mais sobre a anatomia articular clique aqui)

Também surgem lesões cutâneas com dermatite vésico-bolhosa, com tendência para úlceras, alopecia, eritema, pioderma, hiperqueratose, dermatite nasal, seborreia de distribuição focal ou simétrica afetando a cara, extremidades, tronco, orelhas, uniões mucocutâneas e a cavidade oral.

De igual forma, podemos encontrar sinais inespecíficos como depressão, anorexia, febre e linfadenopatia.  Os sinais menos frequentes são a dispneia, sinais cardiovasculares e convulsões.

Em relação às análises de laboratório, deverão realizar-se exames exaustivos que incluam hemograma, bioquímica, serologias e análises da urina.

No que diz respeito ao título de anticorpos, será aconselhável limitar o uso da determinação de ANA em cães que possuam pelo menos 1 dos sintomas principais compatíveis com o LES, segundo os resultados de um estudo publicado1. Além disso, existem cães que dão positivo para B vinsonii (berkhoffii), E canis e Leishmania infantum que podem produzir ANAs, principalmente se forem positivos para mais do que um patógeno2

 

Tratamento do lúpus eritematoso sistémico

Administração de [prednisona/olona] em doses imunossupressoras. No caso dos gatos, se os sintomas não melhorarem em 10 dias, acrescentar [azatioprina] e clorambucil. Após os sinais regredirem, as doses deverão ser diminuídas o máximo possível. Pode ser administrada AAS (10-20 mg/kg c8 h PO cães), (10-40 mg/kg c72 h gatos) como tratamento sintomático, se não existir trombocitopenia.

O prognóstico é reservado, especialmente se existir glomerulonefrite e/ou insuficiência renal no momento do diagnóstico (se deseja mais informação sobre a alimentação na insuficiência renal clique aqui). As principais complicações derivam de infeções bacterianas provocadas pelos tratamentos imunossupressores, a longo prazo.

 

1.Nicole M Smee, Kenneth R Harkin, Melinda J Wilkerson. Medição do título sérico de Anticorpos antinucleares em cães com e sem Lúpus Eritematoso Sistémico: 120 casos (1997-2005). J Am Vet Med Assoc. April 2007; 230(8): 1180-3

2.B. E. Smith, M. B. Tompkins, and E. B. Breitschwerdt. Os anticorpos nucleares podem ser detetados em cães seropositivos para Bartonella vinsonii subsp. berkhoffii, Ehrlichia canis ou Leishmania infantum. J.Vet.Intern.Med. 18 (1): 47-51, 2004

 

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