pancreatite Tempo de leitura: 2 minutos

Os vómitos e diarreias nos cães são um dos principais motivos para consulta. Os transtornos gastrointestinais devem-se a múltiplas patologias, em função de si, trata-se de um processo agudo e crónico. Neste artigo iremos centrar-nos na pancreatite nos cães como causa de transtornos gastrointestinais.

 

Etiologia da pancreatite nos cães

pancreatite nos cães deve-se a muitas causas, destacando as seguintes:

  • Causa farmacológica: azatioprina, estrógenos, tetraciclinas ou álcool presente em medicinas humanas.
  • Causa vasculítica: etiologia imunomediada.
  • Causa nutricional: as dietas hiperlipídicas diminuem a resistência das células dos ácinos à tripsina e aumentam a libertação de enzimas pancreáticas com o que se favorece a degradação das células pancreáticas.
  • Causa metabólica: como a hiperlipidemia pela retardação que provoca na microcirculação pancreática, a provocar isquemia.
  • Choque traumático: por isquemia e necrose pancreática que libertam zimógenos e tripsina, a provocar um dano maior.

Todas essas causas geram uma diminuição dos mecanismos que utiliza o pâncreas para proteger-se da sua própria digestão.

 

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Sintomatologia

A pancreatite aguda propicia a depressão, vómitos, diarreia, febre, dor abdominal, anorexia e desidratação. Em casos graves inclui dispneia, efusão pleural, arritmias, CID, sepse e choque.

 

Tratamento

O tratamento da pancreatite nos cães é sintomático. Consiste em jejum, fluidoterapia e na realização de um tratamento precoce das possíveis complicações que venham a aparecer.

  • Jejum: Desaparece o estímulo que provoca a produção de enzimas pancreáticas. É necessário iniciar uma nutrição parenteral.
  • Fluidoterapia: É preciso suprir as necessidades de manutenção e corrigir o grau de desidratação, assim como as alterações eletrolíticas. Podem-se administrar coloides e dextranos de baixo peso molecular.
  • Plasma: contem inibidores da tripsina.
  • Insulina: no caso de surgir uma insuficiência endócrina que cause diabetes mellitus.
  • Corticoides: pode ter um papel na estabilização das membranas e são conhecidos pelos seus efeitos anti-inflamatórios, porém o seu uso continua a ser controverso.
  • Analgésicos: a meperidina é o mais recomendado.
  • Antibioterapia de amplo espectro: por exemplo cefalosporinas de 1ª geração para prevenir a sepse.
  • Lavado peritoneal: O objetivo é eliminar substâncias nocivas libertadas no abdómen, que são as responsáveis pelas muitas complicações orgânicas. Injeta-se 30 ml(kg de soro fisiológico a 37ºC para tirá-lo de 0,5 a 2 horas depois.
  • Cirurgia no caso de surgir perfuração intestinal, abscessos pancreáticos ou obstruções no ducto biliar.

 

Prognóstico

Existe a possibilidade de aparecerem inúmeras complicações graves na pancreatite nos cães, pelo que o prognóstico das pancreatites agudas é reservado. A considerar a pancreatite crónica, a doença pode ser controlada mas é muito difícil a recuperação completa dada a perpetuação dos mecanismos que danificam o tecido pancreático.

Em grande parte dos distúrbios gastrointestinais, recomenda-se a realização de um jejum temporário. O intuito desse jejum é diminuir a quantidade de alimentos não absorvidos, que pioram os sintomas ao provocar uma diarreia osmótica e reduzir a flora intestinal.

A duração do jejum deve ser de 24 a 36 horas. Depois disso deve-se reintroduzir a alimentação pouco a pouco, utilizando porções pequenas e frequentes.

 

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