parvovirose Tempo de leitura: 2 minutos

A parvovirose canina afeta principalmente o cachorro, aproveitando a imaturidade do seu sistema imunitário. Existe um período durante o qual as vacinas contra a parvovirose não são eficazes a 100%, e é nesse período que a dieta adquire especial importância.

O parvovírus canino possui um especial tropismo pelas células com ciclos de divisão rápida. Pode causar gastroenterite através da necrose das células intestinais, mas também pode atacar as células da medula óssea.

 

Epidemiologia

É transmitida por via oral. O parvovírus apresenta uma grande resistência face às agressões ambientais.

Costuma afetar os cães jovens quando perdem a imunidade fornecida pela mãe, ou seja, a partir das 6 semanas de idade. Nos animais adultos, a infeção por parvovírus é menos frequente devido ao facto de terem sido vacinados ou de já terem padecido infeções subclínicas. O seu período de incubação é de cerca de 5 dias.

 

Sintomatologia

O quadro clínico da parvovirose é caracterizado pela aparição de anorexia aguda, vómitos e depressão. Segue-se uma diarreia acentuada e hemorrágica, em conjunto com desidratação e febre.

Nos casos mais graves, pode chegar a surgir icterícia ou até CID, acompanhada de choque hipovolémico e/ou endotóxico.

 

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Em termos de análises, destaca-se uma acentuada leucopenia de 500-2.000 leucócitos/mcl. É habitual produzir-se uma acumulação de ar a nível intestinal, originado pela presença do íleo adinâmico. Será necessário não o confundir com a existência de uma obstrução intestinal.

 

Tratamento

O fator principal no tratamento contra o parvovírus é evitar a desidratação através da fluidoterapia. Para o efeito, utiliza-se Ringer Lactato, ao qual se adiciona Kcl. No caso de que exista hipoglicemia, poderá adicionar-se dextrose. A terapia antibiótica com amoxicilina ou cefalosporinas de 1ª geração será necessária no caso de o cão se encontrar em sepse.

Para combater os vómitos, são utilizados medicamentos antieméticos como a metoclopramida em comprimidos ou em infusão contínua. Também será útil adicionar medicamentos antisecretários anti-H2 ao tratamento, como é o caso da ranitidina.

Será obrigatório manter jejum absoluto até que o cão se mantenha sem vómitos nem fezes ensanguentadas durante 24 horas. No caso de hipoproteinemia ou hipovolémia graves, será necessário efetuar transfusões de sangue ao animal.

Por volta dos 3-5 dias, e ao iniciar-se a melhoria clínica, podemos introduzir a dieta leve pouco a pouco.

 

Prognóstico

Devido à boa monitorização e ao início precoce dos tratamentos, o prognóstico da doença é excelente. É importante relembrar que nos anos 80 muitos cachorros faleciam devido à infeção por parvovírus canino.

 

Prevenção

A prevenção da parvovirose é realizada através de vacinas. O problema reside no facto de, 1-2 semanas após as 6 semanas de idade a imunidade recebida do organismo materno é ainda suficientemente potente para inibir o efeito das vacinas nos cachorros, mas simultaneamente incapaz de os proteger de forma eficaz contra a infeção por parvovírus.

Assim, surge a necessidade específica de proteger os cachorros por meio de outras estratégias, como por exemplo a imunonutrição já abordada noutros artigos anteriores. Os cachorros, devido à imaturidade do seu sistema imunitário, possuem necessidades dietéticas especiais que já lhe explicámos neste artigo .

 

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