Tumor venéreo transmissível canino Tempo de leitura: 3 minutos

O tumor venéreo canino transmissível é uma doença neoplásica que afeta os cães, com a peculiaridade de se poder transmitir por via venérea. Apesar de o tratamento, atualmente, ser baseado na cirurgia, descobriu-se recentemente a elevada eficácia do tratamento com Vincristina e Interleucina-2.

 

O que é o tumor venéreo transmissível?

O tumor venéreo transmissível (TVT) é exclusivo dos cães e representa a causa mais frequente de tumor genital em populações sexualmente ativas. Surge mais frequentemente em zonas de clima temperado. Aparece em cães e cadelas saudáveis e é transmitido através de uma implantação celular durante o contacto sexual, sendo esta a forma mais frequente (apesar de também se poder produzir por meio do lamber da vulva, por exemplo).

O papel do sistema imunitário no crescimento do tumor e na sua metástase já foi demonstrado, ainda que esta última seja pouco frequente (para obter mais informações sobre o sistema imunitário clique aqui).

 

Sinais clínicos

O tumor venéreo transmissível possui duas formas de manifestação clínica:

  • Genital: No cão macho o tumor localiza-se na base do pénis, ainda que possa, menos frequentemente, localizar-se noutras zonas. Na cadela, o tumor localiza-se na vagina e/ou na vulva. Começa com um forma muito pequena e hiperémica, e evolui crescendo como uma couve-flor com lóbulos e com uma consistência friável

 

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  • Extragenital: a nível intranasal, da cavidade oral (lábios e língua), olho (esclerótica e câmara anterior do olho) e pele.

 

Diagnóstico do tumor venéreo transmissível

O diagnóstico baseia-se no exame físico, na revisão dos antecedentes (contacto sexual) e na histopatologia.

Dado que as secreções vaginais podem conter células neoplásicas, a citologia exfoliante vaginal é um método fácil e eficaz para o diagnóstico e acompanhamento na recuperação do TVT em fêmeas.

Ainda que as metástases não sejam comuns, será importante avaliar os nódulos linfáticos regionais e, em caso de dúvida, será necessário aspirá-los com uma agulha fina para verificar se estão afetados ou não.

 

Eficácia do tratamento com vincristina e Interleucina-2

O tumor venéreo transmissível pode ser tratado com recurso a diversos tratamentos, tais como a cirurgia, criocirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Quando os tumores são de pequena dimensão, a remoção cirúrgica é suficiente. Quando são grandes e apenas é realizada a cirurgia de extirpação, existe 60% de probabilidades de que reapareça localmente. Neste caso, recomenda-se o tratamento com vincristina intravenosa semanal até 2 semanas após a cura clínica. É muito eficaz e possui 90 % de curas.

Recentemente foram realizados vários estudos para verificar a eficácia do tratamento com vincristina e Interleucina-2. No caso de um estudo realizado em fêmeas com tumores vaginais, foi aplicado tratamento semanal durante 3 a 6 semanas, e deu-se uma diminuição no tamanho das massas tumorais, desaparecendo por completo. Surgiram efeitos secundários como vómitos, diarreias e neutropenia. Um ano após a realização do tratamento, levou-se a cabo um exame físico e uma lavagem vaginal a todas as cadelas, e não se observaram células atípicas em nenhuma delas.1

O mesmo foi demonstrado num estudo realizado em cães, aos quais foi administrada interleucina-2 (IL-2), além de vincristina.2

Assim, foi demonstrada a eficácia da vincristina e da IL-2 como tratamentos intratumorais no TVT.

Nos casos em que a vincristina não produza uma resposta, pode usar-se a doxorrubicina.

 

Prognóstico

Habitualmente o prognóstico é bom, com ou sem tratamento químico. Ainda que se possa afirmar que se trata de um tumor maligno, não costuma comportar-se como tal e as metástases são raras.

 

Referências

  1. Erunal-Maral N., Findik, M., and Aslan, S. El uso da citologia exfoliante para o diagnóstico do tumor venéreo transmissível e para o controlo do período de recuperação da cadela. Dtsch.Tierarztl.Wochenschr. 107, 175-180. (2000)

2.DEN OW, Hack M, Jacobs JJ, et al. Eficácia do tratamento com Vincristina e IL-2 no tumor venéreo transmissível. Anticancer Res 2015; 35: 3385-3391

 

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