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Leptospirose canina: revisão da doença

A leptospirose canina é uma doença emergente provocada pela Leptospira. Existem mais de 250 sorovares da bactéria.

Medicina e cuidados

No caso da leptospirose canina, os que mais provocam os casos são a L.icterohaemorrhagiae e a L. canicola. A leptospirose canina é provocada pelos sorovares Leptospira icterohaemorrhagiae e Leptospira canicola. É uma doença mais frequente na primavera e no outono, devido às temperaturas moderadas e ao menor nível de humidade.  

Em que consiste a leptospirose canina?

A via de transmissão da leptospirose canina é urinária, mas também pode ser transmitida por via da placenta, por mordeduras, por contacto com ratos ou pela ingestão de carne contaminada. O microorganismo infeta primeiramente as mucosas ou feridas cutâneas, e só depois passa para o sangue (fase febril denominada leptospiremia, de 4 a 12 dias). Seguidamente, invade o epitélio renal e o parênquima hepático. Também pode causar danos a nível do sistema nervoso central, da placenta e da úvula.  

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  Os sintomas da leptospirose canina podem ser agudos ou crónicos. Nos casos agudos, a leptospiremia massiva origina uma vasculite e, inclusive, uma CID. Também se produz falência renal aguda e necrose hepática acompanhada de colestase. Por outro lado, se a progressão for crónica poderá surgir febre, uveíte, nefrite intersticial crónica e hepatite. O animal apresenta anorexia, depressão, febre, vómitos, paralisia do quadril posterior e até dispneia. Um fator de destaque é a urina escura com presença de hemoglobina, proteinúria e glicosúria. Quando observada no microscópio ótico, também apresenta presença de cilindros granulares, eritrócitos e leucócitos. Por meio de análises, verifica-se a presença de linfopenia com leucocitose, trombocitopenia, azotemia, aumento das enzimas de necrose e colestase hepática, hiponatremia e CID.  

Tratamento da leptospirose canina

No caso de existir insuficiência renal aguda, o tratamento terá de ser mais agressivo. Será necessário administrar terapia fluida e forçar a diurese com furosemida, por forma a manter um fluxo urinário de 2-5 ml/kg/h. Se a furosemida não se revelar suficiente, será necessário iniciar um tratamento com manitol ou dopamina, ou até proceder à diálise peritoneal. No caso de existir uma coagulopatia acentuada ou uma CID, será necessário realizar transfusões sanguíneas. A terapia antibiótica de amplo espectro (penicilina G benzatina) terá de ser iniciada o quanto antes. Recomenda-se a utilização de doxiciclina durante cerca de 2 semanas, após o tratamento com penicilina finalizar, por forma a eliminar as bactérias leptospiras do rim.  

Profilaxia

Sendo que a principal via de contágio é a urinária, é necessário evitar que o animal doente contacte com outros animais. Também é essencial proteger o dono e os profissionais veterinários. As vacinas contra os sorovares de L. canicola e L. icterohaemorrhagiae protegem contra a variante aguda da doença, mas não contra a progressão crónica. Depois de superada a infeção é necessário repetir a vacinação anualmente, já que não existe imunidade cruzada entre os diferentes sorovares.  

Prognóstico

Se o animal receber tratamento atempadamente, o quadro clínico pode ser completamente solucionado.  

Situação da leptospirose canina na Europa

De momento, a leptospirose canina na Europa sofre mudanças. Além dos sorovares habituais (icterohaemorrhagiae e canicola), estão a surgir outros novos, como o bratislava e o grippotyphosa. Este fator está a provocar uma reflexão e reorganização de procedimentos no que toca à formulação das vacinas distribuídas na Europa. Inclusive, não se descarta a hipótese de ser necessário incluir novos sorovares num futuro próximo, como é o caso da pomona. Neste link, poderá encontrar uma revisão das demonstrações clínicas existentes sobre a necessidade de maximizar as vacinas para esta doença.  

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