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O que causa a hipercoagulação observada na doença de Cushing em cães?

O hiperadrenocorticismo é uma doença causada por um excesso de corticosteroides na circulação sanguínea. A etiologia dependente da hipófise constitui a causa mais frequente no cão (80-85% dos casos). Entre as numerosas complicações, o tromboembolismo é uma situação particularmente frequente.

Nutrição e doenças

Síndrome de Cushing em cães

A síndrome de Cushing em cães utiliza-se para denominar um conjunto de sintomas e de alterações biológicas que se devem a uma elevação crónica de glicocorticoides no organismo. Afeta cães adultos e idosos, normalmente com mais de 6 anos de idade, e com uma ligeira predisposição nas fêmeas, no caso de neoplasias adrenais. As raças predispostas são Pastor Alemão, Teckel, Caniche e Beagle, mas pode afetar qualquer raça.

Em condições normais, a glândula hipófise segrega ACTH, que por sua vez irá estimular a produção de cortisol pelas glândulas suprarrenais (ou adrenais). Na doença de Cushing produz-se um excesso de corticosteroides na circulação sanguínea. A origem da síndrome de Cushing nos cães dá-se em 3 níveis:

  1. Na glândula hipófise. Também chamada de síndrome de Cushing secundária ou doença de Cushing. É a forma mais frequente. Produz-se uma secreção excessiva de ACTH a nível da hipófise, devido à presença de adenomas ou de hiperplasia na hipófise. Este facto origina uma hiperplasia bilateral das glândulas adrenais e um excesso de secreção de cortisol, bem como um mau funcionamento do mecanismo de feedback negativo para diminuir a secreção de ACTH.
  2. Nas glândulas suprarrenais, também chamada síndrome de Cushing primária, é mais rara, representando 15-20% dos casos. Produz-se através da presença de adenomas ou adenocarcinomas adrenais, que sintetizam grandes quantidades de cortisol independentemente do controlo da hipófise. Geralmente, dá-se uma atrofia da glândula adrenal não afetada devido à supressão da síntese de ACTH.
  3. Administração excessiva de glicocorticoides exógenos (hiperadrenocorticismo iatrogénico).

Manifestações clínicas e complicações da doença de Cushing

A doença de Cushing em cães caracteriza-se por um grande polimorfismo clínico. Habitualmente, os primeiros sinais a manifestar-se são a polidipsia e a poliúria. Também surge polifagia (75-87% dos cães), distensão abdominal (93-95% dos cães), hepatomegalia, redistribuição do tecido adiposo, depressão, adinamia, debilidade muscular (74-82% dos cães), lesões cutâneas (alopecia endócrina 55-90% dos cães; pele fina, pioderma, comedões, hiperpigmentação, calcinose cutânea, má cicatrização, etc.), obesidade (redistribuição da gordura <50% dos cães), taquipneia, atrofia testicular, falta de atividade ovárica, miopatias, neuropatias e tromboembolismo pulmonar.

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O tromboembolismo é uma complicação relativamente frequente do hiperadrenocorticismo (HAC), principalmente após adrenalectomia. A patogénese ainda não foi claramente determinada, ainda que seja associada a um aumento na produção de fatores coagulantes, perda de fatores anticoagulantes, danos de hipertensão nas paredes vasculares e transtornos na função das plaquetas

Relacionado com isso, elaborou-se um estudo no qual se compararam 56 animais com HAC com um grupo-controlo. Em todos eles foi observada uma série de fatores de coagulação (fatores II, V, VII, IX, X, XI e XII), Fator von Willebrand (FvW), complexo trombina-antitrombina, antitrombina, fibrinogénio, plasminogénio e inibidor da ação do plasminogénio. Assim, verificaram que nos cães com HAC existia atividade significativamente mais elevada dos fatores II, V, VII, IX, X, XII e FvW, diminuição da antitrombina e aumento considerável tanto do complexo trombina-antitrombina (indicador de produção de trombina e, consequentemente, ativador da coagulação) como do fibrinogénio. Desta forma, os autores concluíram que a trombose subclínica é um processo frequente nos animais com HAC e que se deve, em parte, à elevação dos fatores pró-coagulantes e a uma diminuição na antitrombina.

Tratamento da doença de Cushing nos cães

Um fator importante na hora de decidir sobre o tratamento mais adequado é o tipo de hiperadrenocorticismo. Enquanto que para um paciente com hiperadrenocorticismo da hipófise se utiliza geralmente um medicamento supressor da secreção de cortisol, para o tratamento de um tumor adrenal pode ser utilizado um tratamento mais definitivo (remoção cirúrgica ou um medicamento que possua a capacidade de destruição do tumor adrenal) ou, ainda, pode-se optar por um tratamento médico tradicional.

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