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Pelas nossas clínicas passam cães sénior com mais de 10 anos de idade, que apresentam osteoartrite grave, com perda de massa muscular e várias patologias simultâneas. Para conseguirmos uma melhoria da mobilidade, a cirurgia nem sempre é a única opção. Quais as alternativas disponíveis?

 

Na osteoartrite, quanto antes melhor

A osteoartrite (OA), conhecida também como doença degenerativa articular ou artrite, é uma doença crónica muito dolorosa, degenerativa e inflamatória, que afeta as articulações sinoviais e acaba por provocar a perda de mobilidade. É muito frequente em cães de idade avançada e ainda não existe uma cura definitiva.

Pode ser originada a partir de uma instabilidade, de inflamação crónica, de inconsistências ou de um processo patológico que produz células patológicas nas articulações. No cão, surge muitas vezes devido a um desgaste mecânico associado a diversas causas. Inicia-se então uma rotura física da superfície da cartilagem, que dará origem ao início de alterações bioquímicas que afetarão todas as articulações, deteriorando os tecidos articulares.

A abordagem terapêutica terá como objetivo melhorar a qualidade de vida do cão, eliminando ou reduzindo a dor e a inflamação, à medida que se obtém mobilidade. Tendo em conta que a doença é degenerativa e progressiva, convém iniciar um tratamento o mais depressa possível.

 

Tratamento de preservação para melhorar a mobilidade do cão

O tratamento da osteoartrite pode ser cirúrgico, mas também se pode evitar a cirurgia veterinária. No entanto, o tratamento não cirúrgico deve ser a primeira opção, já que é eficaz em muitos dos casos.

Qualquer tratamento deverá ser abordado a partir da perspetiva integral dos componentes das articulações: cartilagem, osso e cápsula sinovial.

Tratamento médico de preservação:

  • Uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINES) para reduzir a inflamação e como alívio sintomático da dor. Estes irão inibir a via inflamatória da cicloxigenase (COX I e COX II) e os inibidores seletivos da COX II (por ex.: carprofeno) representam a principal escolha para o tratamento a longo prazo, já que possuem menos efeitos adversos gastrointestinais e maiores benefícios clínicos. Prestar atenção aos efeitos adversos gastrointestinais.
  • Diminuição da dor com analgésicos. O paracetamol e o tramadol estão entre os mais utilizados em veterinária.

Restrição da ingestão dietética para diminuir o início e a progressão da OA. Nos cães com sobrepeso, a redução de peso como único tratamento demonstrou ser eficaz no alívio da dor e na melhoria da função dos membros com dor articular causada pela OA. Para estes pacientes recomendam-se os passeios diários com trela. A realização de exercício leve e de curta duração (nadar, passeios) é ideal para melhorar a saúde física e o controlo do peso do cão. Como resultado, os membros suportarão uma menor carga, facilitando a mobilidade das articulações, que por sua vez é necessária para melhorar o revestimento saudável sinovial e da cartilagem, contribuindo simultaneamente para a manutenção do peso corporal e para a reversão da atrofia muscular desenvolvida.

Tratamento nutricional:

Uma boa abordagem nutricional pode ajudar a diminuir a carga farmacológica na OA, bem como reduzir os efeitos adversos que esta acarreta.

  • As provas existentes mostram que a prescrição de dietas com elevadas quantidades de ácidos gordos ómega 3 (AG n-3) são eficazes na gestão da OA. São suplementos muito utilizados na medicina humana, que provaram ser igualmente eficazes em veterinária. Um alto fornecimento de AG n-3 servirá para intercambiar a biossíntese dos eicosanoides derivados dos ácidos gordos ómega 6, que são vasoativos e pró-inflamatórios, pelo aumento dos eicosanoides derivados dos ácidos gordos ómega 3, com características muito menos pró-inflamatórias.
  • Uso de condroprotetores: a combinação de glucosamina e sulfato de condroitina estimula o metabolismo da cartilagem, inibindo a sua degradação e reduzindo os sintomas clínicos, tanto em pacientes com OA como em contextos pós-cirúrgicos.
  • O ácido hialurónico administrado por via oral é absorvido no intestino, depositando-se nas articulações. A sua suplementação melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes com sintomas de OA.
  • A ingestão de vitamina K previne a perda de massa óssea, o risco de fraturas e a incidência de osteoartrite, por meio de uma maior quantidade de mineralização óssea, pela formação de osso/cartilagem e pela inibição da calcificação da cartilagem.

 

Com a alimentação é possível combinar nutrientes que contribuem para a modificação das diferentes estruturas articulares (osso, cartilagem, membrana sinovial) afetadas pela OA, bem como modificar as vias bioquímicas patológicas (anti-inflamatórios, antioxidantes) para ajudar a abrandar a progressão da doença e aliviar os sinais clínicos.

 

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