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Parasitas intestinais nos gatos: prevalência e fatores de risco

Os gatos domésticos podem ser infetados por um grande leque de parasitas intestinais, que podem causar sinais clínicos muito diferentes. Neste artigo iremos explicar-lhe o quadro clínico provocado pelos parasitas em gatos domésticos europeus, baseando-nos num estudo realizado no ano de 2014.

Nutrição e doenças

De março de 2012 até maio de 2013, 1519 gatos foram incluídos num estudo multicêntrico realizado em 9 faculdades de Veterinária em toda a Europa (Áustria, Bélgica, França, Hungria, Itália, Roménia e Espanha). Em cada gato, os ectoparasitas foram observados através da escovagem superficial do revestimento de pêlo, em conjunto com uma avaliação otoscópica e microscópica de amostras de cera do ouvido. Os endoparasitas foram identificados por meio de exames coproscópicos standard, e realizados em amostras fecais frescas.  

Parasitas intestinais nos gatos domésticos

Mais de metade (50,7%) da população de gatos domésticos estava infetada por pelo menos um parasita com um elevado nível de co-infeções. Em relação aos parasitas intestinais internos ou endoparasitas: da análise macroscópica e microscópica das amostras fecais, concluiu-se que 35,1% dos gatos foram positivos para endoparasitas (Helmintos gastrointestinais, organismos protozoários ou vermes pulmonares). A helmintose gastrointestinal foi observada em 25,7% dos gatos, as infeções protozoárias em 13,5% dos animais e os nematóides respiratórios em 5,5% dos gatos.  

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Entre os nematóides gastrointestinais, que se registaram em 20,5% dos gatos examinados, encontraram-se Toxocara cati em 19,7%, A. Tubaeforme / Uncinaria stenocephala em 1,4% e Toxascaris Leonina em 0,3% dos gatos. Os organismos protozoários gastrointestinais foram observados em 13,5% dos gatos: 9,7% e 3,2% das amostras foram positivas para Cystoisospora Spp. E Giárdia spp., respectivamente. A. abstrusus foi identificado em 4,1% dos 1115 gatos examinados. Em relação aos parasitas intestinais externos ou ectoparasitas: A taxa global de infeção de gatos com ectoparasitas foi de 29,6%. Os ácaros do ouvido foram identificados em 17,4% dos gatos estudados, seguidos das pulgas em 15,5% dos animais, das carraças presentes em 1,2% dos gatos e de outros ectoparasitas em 1,4% dos gatos.  

Quadro clínico

Dependendo do parasita, a infestação por parasitas intestinais pode causar desde transtornos gastrointestinais ligeiros e atraso no desenvolvimento, até anorexia ou anemia nos casos mais severos, particularmente em gatos jovens com elevada carga parasitária. Alguns parasitas dos gatos podem possuir um potencial zoonótico, como é o caso de alguns nematóides como o Toxacara cati e o Ancylostoma tubaeforme, responsáveis pelas doenças viscerais / oculares e larva migrans cutânea, respectivamente. Entre os organismos protozoários, o Toxoplasma gondii possui grande importância para a saúde pública. Os ectoparasitas podem causar um dano direto como o prurido e as reações alérgicas, mas também possuem um papel vetorial potencial: as pulgas, por exemplo, estão relacionadas com a transmissão de agentes patogénicos zoonóticos, especialmente a Bartonella Henselae, o agente que causa a doença transmitida por arranhões de gato.  

Fatores de risco

  • Toxocara cati. Encontraram-se correlações significativas com os seguintes critérios: idade (idade superior a 24 meses), acesso ao exterior (quando frequente), frequência de tratamento anti-helmíntico (menor frequência), número de gatos na casa (lares com mais de 3 gatos) e centro do exame.
  • Aelurostrongylus abstrusus: encontraram-se correlações significativas entre o acesso ao exterior (maior frequência de saídas) e a localização. A idade não foi significativamente relacionada com a afetação pulmonar.
  • Otodectes cynotis: encontraram-se correlações significativas entre a infestação dos ácaros do ouvido e o acesso ao ar livre, lares com vários animais de estimação e a localização. Não foi detectada uma diferença substancial em relação à idade.
  • Ctenocephalides spp: encontraram-se correlações significativas entre a infestação provocada pelas pulgas e a localização ou o acesso ao exterior, sem que existisse uma correlação substancial entre a infestação por pulgas e a idade, ou com o número de animais de estimação em casa.

Este estudo conclui que a afetação provocada por parasitas intestinais não é um evento raro nas populações de gatos europeus, sendo que a prevalência do multiparasitismo é estatisticamente significativa, com uma tendência para a infestação seja por endo ou por ectoparasitas, devido a fatores de risco que são comuns.

Referência: Beugnet, F., Bourdeau, P., Chalvet-Monfray, K. et al. Parasites Vectors (2014) 7: 291. doi: 10.1186/1756-3305-7-291.  

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