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No início do tratamento da doença, os animais eram diagnosticados com a doença num estado já muito avançado e, consequentemente, a dieta renal era a medida mais apropriada para mitigar as fases iniciais de insuficiência renal em cães infetados com leishmaniose. Devido a algum comodismo, em muitos casos recomendava-se diretamente esta dieta. Atualmente sabemos que se o animal não tiver insuficiência renal, uma dieta rica em proteínas é mais benéfica.

A doença causada pela Leishmania dá origem a lesões inflamatórias e imunossupressoras em vários órgãos, destacando-se a nefrite intersticial, a dermatite, a hepatite crónica ou a ceratoconjuntivite, entre outras. A leishmania não tem cura mas pode ser controlada. O prognóstico agrava-se quando existe insuficiência renal.

 

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O tratamento clássico da leishmania é a N-metilglucamina, ainda que cada vez mais veterinários utilizem o alopurinol como único tratamento. Para além destes tratamentos é importante praticar um tratamento de apoio e administrar uma dieta adequada para minimizar as lesões.

 

Dieta adequada para o tratamento da leishmania:

Neste artigo apresentamos-lhe o algoritmo proposto pelo guia de bolso da BSAVA (British Small Animal Veterinary Association), concebido para escolher o tipo de dieta a administrar ao nosso animal de estimação, no caso de infeção por leishmania.

 

leishmaniose canina

 

Perante a suspeita de leishmania num cão, o diagnóstico costuma ser positivo em 70% dos casos. Se nos sintomas apresentados pelo animal não estiver incluída a insuficiência renal, o mesmo poderá beneficiar da dieta Leishmaniasis Management. Se, pelo contrário, o cão tiver insuficiência renal, será mais adequado administrar-lhe uma dieta renal.

 

De seguida iremos explicar-lhe em que consiste cada uma delas:

Advance Veterinary Diets Leishmaniasis:

É uma dieta indicada para:

  • Cães com leishmaniose que não sofram de insuficiência renal
  • Potenciar a imunidade celular
  • Prevenir os cálculos de xantina associados ao tratamento
  • Melhorar a inflamação e as lesões cutâneas

Entre os seus múltiplos benefícios destaca-se o seguinte:

  • Baixo teor de purinas: o conteúdo de nucleótidos é baixo. Este facto evita a formação de cálculos de xantina associados ao tratamento com alopurinol.
  • Alta digestibilidade: devido à otimização do fornecimento de nutrientes, o que diminui a criação de resíduos
  • Equilíbrio correto de proteínas e de energia: contribuem para a manutenção da massa muscular e para o funcionamento do sistema imunitário.
  • Proteínas de alto valor biológico com um perfil adequado de aminoácidos.
  • Biotina, ácido linoleico e ácidos gordos ómega 3: para melhorar a regeneração da pele e do pelo.
  • Dose extra de vitamina C: para prevenir problemas de visão.
  • Baixo teor de fósforo: para prevenir danos a nível glomerular.

 

Advance Veterinary Diets Renal:

Esta dieta é indicada para:

  • Insuficiência renal
  • Doença renal crónica
  • Litíase causada por oxalato de cálcio
  • Cristais de cistina e de urato
  • Insuficiência cardíaca congestiva nas suas fases iniciais
  • Doença hepática associada à encefalopatia
  • Hipertensão arterial

É contraindicada no caso de problemas que necessitem de um alto consumo de fósforo ou proteínas.

Os seus principais benefícios:

  • Fornecer um pH urinário neutro (6,7-7,5), prevenindo a formação de cálculos de oxalato.
  • Baixo teor de fósforo: diminui a progressão da falência renal.
  • Complementada com potássio: previne a hipopotassemia, que pode ser desencadeada pelos tratamentos diuréticos.
  • Redução do número de aminoácidos não essenciais e, consequentemente, da produção de resíduos nitrogenados.
  • Teor de ácidos gordos ómega 3: combatem a hipertensão glomerular.
  • Baixo teor de sódio: como mecanismo de compensação para a dificuldade do rim em eliminá-lo.
  • Vitaminas do complexo B: para neutralizar a perda de vitaminas hidrossolúveis que se dá a nível renal.

 

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